72
Protagonismo e resistência dos Waimiri-Atroari na Amazônia
Na realidade, o seu principal intuito é de ga-
rantir os direitos políticos, sociais e territoriais dos
povos indígenas, presentes na Constituição Federal
de 1988, caracterizando-se como uma atuante orga-
nização neste contexto. Além disso, a exemplo do que
há décadas já faz o CIMI, vários boletins e informes
são emitidos, denunciando abusos e reivindicando
direitos. Um desses informes mais recentes refere-se
às ameaças aos direitos indígenas em todo o País:
Falar de direitos indígenas ou direitos humanos,
num momento em que a prioridade é o crescimen-
to econômico por meio do aumento da produção,
parece jogar palavras ao vento, pois o modelo de
desenvolvimento adotado pelo Brasil estimula as
desigualdades sociais onde quem tem bens tende
a crescer e oprimir, e torna o pobre cada vez mais
pobre. Em função desse modelo, o governo tem
sido omisso e conivente com a ofensiva aos direitos
indígenas praticados por meio de medidas admi-
nistrativas, legislativas e jurídicas antiindígenas
nos distintos poderes do Estado. Há uma notória
pactuação com setores políticos e econômicos (la-
tifundiários, agronegócio, mineradoras, empreitei-
ras, bancos e outras corporações) contrários aos
direitos indígenas, interessados nos territórios in-
dígenas e suas riquezas (minerais, hídricas, flores-
tais, biodiversidade), em troca de apoio à sustenta-
bilidade e governança requerida pelo Executivo. A
Coordenação das Organizações indígenas da Ama-
zônia Brasileira – COIAB, principal organização
indígena articuladora da Amazônia Brasileira tem
o papel fundamental de orientar e acompanhar as
ações da política indigenista brasileira, e tem pro-
curado cumprir esse papel apesar das dificuldades
administrativas, financeiras e até políticas (INFOR-
ME COIAB, 2013, p.1).
Nos últimos anos, essas mobilizações estão
se intensificando ainda mais: de acordo com os pró-
prios integrantes da COIAB, as organizações internas
e externas, estão visando principalmente combater o




