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Eduardo Gomes da Silva Filho

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Os povos indígenas na América Latina e no Brasil

são tantos e tão diversos que seria temerário qual-

quer tipo de generalização em relação ao conceito

que cada um deles faz do próprio território. A ideia

de território, espaço geográfico em que se exerce

poder, é fundada nos mitos, crenças e cultura de

cada povo, fazendo com que os critérios da ocupa-

ção própria e da defesa contra a ocupação por ter-

ceiros sejam totalmente diferente (SOUZA FILHO,

1998, p. 53).

A verdade é que não existe hierarquia no

campo da técnica, não se pode comparar uma eco-

nomia à outra, porque não existe uma forma dire-

ta de se comparar sociedades diferentes e também

porque a História já comprovou que as tecnologias

selvagens podem ser muito rentáveis.

Pierre Clastres (1979) também cita um fato

histórico interessante em relação à economia – dita

por muitos etnocentristas como preguiçosa – dos ín-

dios que assim que foram apresentados a machados

mais eficientes que os seus, os índios não se interes-

saram em produzir maior quantidade para poderem

receber lucros, mas sim produzir a mesma quantida-

de num tempo dez vezes menor, mas isso ocorre em

virtude da eleição de valores inscritos no seu modo

de vida e na sua cosmologia.

Clastres defende que nas sociedades com

Estado existe uma força externa que define a natu-

reza das relações sociais que é o poder político. No

caso da sociedade Waimiri-Atroari, essa força ex-

terna atua de modo colonial através do Estado e do

Exército brasileiro promovendo intervenções e ações

militares contra os indígenas.

Isso pode ser confirmado a partir da análi-

se de um trecho do relatório produzido por Egydio

em 1983, apresentado em reunião à Prelazia de

Itacoatiara, como parte de ação integrante do

Movimento de Apoio à Resistência Waimiri-Atroari