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Protagonismo e resistência dos Waimiri-Atroari na Amazônia

uma forma de organização social, que expressa uma

identidade diferencial nas relações com outros gru-

pos e com a sociedade mais ampla. A identidade ét-

nica é utilizada como forma de estabelecer os limites

do grupo e de reforçar sua solidariedade.

Nessa concepção, a continuidade dos grupos

étnicos não é explicada em termos de manutenção de

sua cultura tradicional, mas depende da manuten-

ção dos limites do grupo, da contínua dicotomização

entre membros e não membros. Os traços culturais

que demarcam os limites do grupo podem mudar e

a cultura pode ser objeto de transformações, sem

que isso implique o esvaziamento da solidariedade

étnica.

Nessa ótica, Barth foi responsável pela subs-

tituição das abordagens estáticas por outras mais

interacionistas. Essa mudança é consequência da

diferenciação da noção de etnicidade da noção de

cultura, pois ele apresenta a identidade étnica como

um aspecto da organização social e não da cultura.

Retomando a discussão sobre território, Oliveira ain-

da acrescenta:

Ao contrário das descrições formalistas (jurídicas

ou administrativas), ou ainda dos relatos unilate-

rais das agências estatais, os índios têm uma par-

ticipação decisiva na definição assim como na pre-

servação de limites de uma terra indígena. Longe

de serem somente “técnicos” (como são qualifica-

dos na legislação e nos procedimentos administra-

tivos), tais processos são essencialmente políticos

e neles irão se expressar com nitidez os interesses,

valores e concepções indígenas (Ibid., p. 278).

A luta dos povos indígenas e dessas insti-

tuições em prol da causa indigenista tornou-se his-

tórica, no entanto, a FUNAI que deveria encabeçar

esta luta, de acordo com denúncia feita pelo pró-

prio CIMI em matéria publicada no Jornal Diário