Eduardo Gomes da Silva Filho
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do Amazonas, em 05 de Julho de 1986, intitulada:
“
Funai foge à sua função para apoiar interesses do
governo
” adverte:
[...] “O papel da Funai – Fundação Nacional do Ín-
dio, é simplesmente garantir a implementação dos
grandes projetos do Governo nas áreas indígenas,
desviando-se da função primordial e importante,
que é a demarcação das áreas hoje em conflito, daí
a revolta dos índios que são contrários à política
desenvolvida pelo órgão”, afirmou, ontem um dos
coordenadores do Conselho Indigenista Missioná-
rio – CIMI, em Manaus Edna Damasceno, acerca
da posição da entidade em relação a atuação da
Funai em defesa dos índios (DIÁRIO DO AMAZO-
NAS, 1986, p. 3).
Nesse sentido, a coordenadora do CIMI ainda
alerta:
[...] “Só para se ter uma ideia” – continuou – “quem
define as áreas de fronteiras, onde estão os maio-
res focos de conflitos, é o Conselho de Seguran-
ça Nacional, quando caberia a própria Funai esta
obrigação, por conhecer todos os aspectos a ser
estudado. O fato de decidirem demarcar as áreas
da fronteira, principalmente para a exploração de
minérios, é um dos aspectos que devemos levar me
consideração, haja vista que antes os índios já pro-
tegiam estes locais, contra a invasão do território
brasileiro (Ibid., p. 3).
E continua com a sua denúncia expli-
citando o papel do CIMI:
O CIMI, no entanto, tem através de uma ação vol-
tada para os interesses dos índios, defendido as
lutas reivindicatórias dando apoio necessário para
que a voz dos povos indígenas seja ouvida pelas
autoridades, especialmente para a comunidade,
que tem uma visão completamente estereotipada
do índio. “Estamos tentando, não somente com
o apoio às causas indígenas, mas, sobretudo, no




