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Protagonismo e resistência dos Waimiri-Atroari na Amazônia
Povos Indígenas). Eles revelaram que a MECMAM
(Comissão do Movimento Etnocultural de Mobili-
zação do Amazonas) tem um nome para a Seind,
para substituir o atual secretário, Bonifácio José
Baniwa.
Segundo eles, o parente a ser indicado
é Raimundo Nonato Pereira Sobrinho, da etnia
Waimiri-Atroari, um dos integrantes do movi-
mento criado em fevereiro deste ano
(PORTAL
DO MOVIMENTO POPULAR INDÍGENA, 2015, gri-
fos nossos).
A partir da análise da reportagem acima, po-
demos inferir que essa participação de alguns líderes
da etnia Waimiri-Atroari tem participação no movi-
mento indígena atual, essa forma de organização po-
lítica e social, ratifica suas práticas de resistências
enquanto grupo, mesmo com toda a “blindagem”
que existe sobre eles, a partir das ações do Programa
Waimiri-Atroari – PWA.
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Todavia, essa representa-
ção de lideranças indígenas Waimiri-Atroari no ce-
nário local é minimizada pelo PWA, que ratifica ape-
nas o seu papel nas aldeias.
Porém, de acordo com a reportagem, existe
uma representatividade do grupo a partir das suas
lideranças, que apresentam propostas de acordo
com as suas demandas, fato que evidencia o prota-
gonismo do movimento indígena deste povo.
A intensificação dos enfrentamentos e da
resistência no território Waimiri-Atroari: A
missão Calleri
O ano de 1968 foi marcado por um caso em-
blemático ocorrido no território Waimiri-Atroari.
Trata-se do massacre feito a expedição chefiada
pelo padre italiano João Calleri, que tinha como
principal objetivo “pacificar” os Waimiri-Atroari,
22 Especificaremos essa experiência junto ao PWA no IV capítulo do
trabalho.




