Eduardo Gomes da Silva Filho
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domínio dos grandes latifundiários e do agronegó-
cio. Essas ações ocorrem por meio de mobilizações,
ocupações, manifestos, audiências públicas e tan-
tas outras formas de pressão. Portanto, entre outras
pautas, a COIAB luta para que o Estado garanta a
proteção devida aos direitos originários e fundamen-
tais dos povos indígenas gravemente violados, inclu-
sive com a omissão e conivência do Governo Federal.
No tocante ao povo Waimiri-Atroari, a COIAB
acompanha a sua luta desde a sua fundação e faz
o relato a partir de boletins informativos, pois como
os Waimiri-Atroari integram-se ao Programa patroci-
nado pela FUNAI/Eletronorte, o acesso às aldeias é
limitado aos membros desse Programa.
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Todavia, as articulações externas entre os
Waimiri-Atroari e outras etnias que fazem parte do
movimento indígena existem, na medida em que po-
demos observar isso a partir de uma matéria publi-
cada em um portal dedicado ao movimento indígena,
que abordou a luta de vários grupos étnicos contra
a possível extinção de uma Secretaria de Governo
dedicada aos povos indígenas do Amazonas, como
aponta parte da reportagem a seguir.
Os indígenas vão lutar para que a Seind não seja
extinta e estão vigilantes para que isso não aconte-
ça. Afirmam ainda, que irão fazer pressão junto aos
deputados e ao Governo. “Já estamos participando
de reuniões na comissão de assuntos indígenas da
ALE, caso as conversas não avance e a Seind seja
extinta, iremos invadir a Sede do Governo”, afirma
os representantes indígenas. Líderes de movimento
indígena que representam dez etnias do Alto e Mé-
dio do Solimões defendem o nome de outro parente
para assumir a Seind (Secretaria de Estado para os
21 A esse respeito, quando me dirigi ao PWA, em 2013 e solicitei uma vi-
sita a uma das aldeias do povo Waimiri-Atroari, onde obtive algumas
promessas de que o meu pedido seria levado às lideranças indígenas,
mas após meses de espera, não tive resposta alguma.




