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Protagonismo e resistência dos Waimiri-Atroari na Amazônia
Porém, de acordo com Silvano Sabatini:
O marco deste processo de invasão recente do ter-
ritório Waimiri-Atroari foi a construção da BR-174
ligando Manaus a Boa Vista e esta cidade ao Cari-
be. No período da construção da estrada ocorreram
“conflitos” dos quais apenas se tem informações
das mortes de brancos (SABATINI, 1998, p. 239).
O Antropólogo francês Pierre Clastres (1979),
no início da sua obra “
A sociedade contra o Estado
”,
afirmou a existência das sociedades indígenas cuja
reprodução exclui a formação do Estado. No caso
dos Waimiri-Atroari, a intervenção estatal trouxe da-
nos irreparáveis ao seu povo.
23
A esse respeito, Dalmo de Abreu Dallari
(2013) comenta que a sociedade humana existiu sem
o Estado durante um determinado período da his-
tória, no entanto, depois e por motivos distintos, o
Estado foi constituído para atender às necessidades
ou às conveniências de grupos sociais. Não houve
concomitância na formação do Estado em diferentes
lugares, uma vez que este foi aparecendo de acordo
com as condições concretas de cada lugar.
Todavia ao se estudar com mais proprieda-
de à questão do território indígena, buscamos com-
preendê-lo à luz de Carlos Frederico Marés de Souza
Filho, que em um de seus ensaios nos esclarece que:
23 De acordo com Clastres (1979), as sociedades primitivas sempre são
retratadas de forma negativa, em uma abordagem etnocentrista que
as caracteriza pela falta, sendo referidas como sociedades sem escri-
ta, sem fala, sem história; sendo que as mesmas também não dis-
põem de mercado. Segundo o autor, a estrutura econômica dessas
sociedades é baseada na economia de subsistência e que elas são
ignorantes quanto à economia de mercado. Além disso, a produção de
excedentes não é efetuada porque os nativos não veem necessidade,
eles colhem, plantam e caçam de acordo com a necessidade da tribo e
os eventuais excedentes são consumidos em comemorações; também
há o pensamento de que devido à inferioridade tecnológica, os primi-
tivos não produzem em excesso.




