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Protagonismo e resistência dos Waimiri-Atroari na Amazônia
- MAREWA: “Utilizaram nesta tarefa tratores,
aviões, rifles, metralhadoras, granadas e dinamites”
(RELATÓRIO MAREWA, 1983, p. 12).
A esse respeito, a reportagem publicada
no Jornal A Crítica, em 27 de outubro de 2014,
aponta-nos:
Na ocasião, a jornalista Memélia Moreira, autora de
reportagens sobre violência contra indígenas na dita-
dura, relatou ter evidências de que militares utiliza-
ram napalm para atacar aldeias na região da Amazô-
nia. O napalm é uma espécie de gasolina gelatinosa
que se tornou mundialmente conhecida após ter sido
utilizada pelas tropas norte-americanas na Guerra
do Vietnã (1965-193). Os problemas com os militares
foram registrados principalmente nas comunidades
indígenas instaladas na rota de grandes rodovias
construídas na época na região amazônica. Em seu
depoimento à comissão estadual, Memélia disse que
recolheu estilhaços das bombas de napalm durante
uma visita à aldeia dos índios waimiri-atroari, na re-
gião sul do Estado de Roraima. “Eu vi, peguei e guar-
dei um tonelzinho de napalm”, disse. Os conflitos
com os waimiri-atroari ocorreram durante a cons-
trução da BR-174, entre Manaus a Boa Vista, entre
1967 e 1977. Ainda segundo a jornalista, o napalm
teria sido utilizado em pelo menos duas ocasiões, en-
tre 1975 e 1976. “Em 1978, quando estive na aldeia
deles em Santo Antônio de Abonari, encontrei restos
de latas usadas para armazenar o napalm”, afirmou.
(A CRÍTICA, 2014).
A declaração dada pela jornalista constitui
uma evidência a respeito de ataques sofridos pelos
Waimiri-Atroari por parte dos militares. A tensão en-
tre índios e brancos aumentara a cada dia e a re-
sistência indígena frente a esses abusos tornou-se
ainda mais evidente. Como retaliação a resistência
indígena, segundo o padre Silvano Sabatini (1998,
p. 77-77), “[...] o general Albuquerque Lima
24
sugeriu
24 O General Albuquerque Lima assumiu o Ministério do Interior no
ano de 1967.




