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Protagonismo e resistência dos Waimiri-Atroari na Amazônia

A experiência vivida pelos Waimiri-Atroari nos úl-

timos vinte anos aqui, próximo ao Norte de Ma-

naus e Sul de Roraima, na Calha Norte, embora

não se localize na faixa de fronteira, é muito ilus-

trativa para nos iluminar a visão do futuro que

se prepara para as populações, sobretudo indíge-

nas, agora em escala bem mais ampla, através do

Projeto Calha Norte. (RELATÓRIO CALHA NORTE,

1987, p. 1).

De acordo com Egydio, “Tudo iniciou com o

controlo dos militares e FUNAI, do território, do mo-

vimento dos índios e das informações” (Ibid., p.1).

Após este primeiro momento, o documento do indi-

genista nos alerta para a execução dos grandes pro-

jetos oficiais em terras indígenas, como nos casos da

BR 174 e da Usina Hidrelétrica de Balbina. Ainda de

acordo com Egydio esses projetos “desalojam o índio

e abrem as portas para a entrega do solo e do subsolo

ao capital internacional: Paranapanema, BRASCAN,

Aura, Best/Sabba, Meguimbras, PRAMA, Engemix,

Caiporé, e outras” (Ibid., p. 1).

Para o antropólogo Alfredo Wagner Berno de

Almeida (1994) essas mobilizações refletem o tipo

de intervenção dos aparelhos de Estado e do capital

internacional, esses agrupamentos traduzem efeitos

de ação, dos povos atingidos por barragens, povos da

floresta e ribeirinhos.

Nesse sentido, tais políticas ignoraram

as populações tradicionais. De acordo com Mary

Douglas (1998, p. 139), “Quando a analogia com a

natureza é modificada, o sistema de justiça também

necessita uma revisão.” Todavia, a revisão feita a

partir da Constituição Federal de 1988 não trou-

xe necessariamente um reconhecimento de forma

mais ampliada no que diz respeito aos direitos indí-

genas, limitando-se apenas a “proteção” das cultu-

ras indígenas.