64
Protagonismo e resistência dos Waimiri-Atroari na Amazônia
A experiência vivida pelos Waimiri-Atroari nos úl-
timos vinte anos aqui, próximo ao Norte de Ma-
naus e Sul de Roraima, na Calha Norte, embora
não se localize na faixa de fronteira, é muito ilus-
trativa para nos iluminar a visão do futuro que
se prepara para as populações, sobretudo indíge-
nas, agora em escala bem mais ampla, através do
Projeto Calha Norte. (RELATÓRIO CALHA NORTE,
1987, p. 1).
De acordo com Egydio, “Tudo iniciou com o
controlo dos militares e FUNAI, do território, do mo-
vimento dos índios e das informações” (Ibid., p.1).
Após este primeiro momento, o documento do indi-
genista nos alerta para a execução dos grandes pro-
jetos oficiais em terras indígenas, como nos casos da
BR 174 e da Usina Hidrelétrica de Balbina. Ainda de
acordo com Egydio esses projetos “desalojam o índio
e abrem as portas para a entrega do solo e do subsolo
ao capital internacional: Paranapanema, BRASCAN,
Aura, Best/Sabba, Meguimbras, PRAMA, Engemix,
Caiporé, e outras” (Ibid., p. 1).
Para o antropólogo Alfredo Wagner Berno de
Almeida (1994) essas mobilizações refletem o tipo
de intervenção dos aparelhos de Estado e do capital
internacional, esses agrupamentos traduzem efeitos
de ação, dos povos atingidos por barragens, povos da
floresta e ribeirinhos.
Nesse sentido, tais políticas ignoraram
as populações tradicionais. De acordo com Mary
Douglas (1998, p. 139), “Quando a analogia com a
natureza é modificada, o sistema de justiça também
necessita uma revisão.” Todavia, a revisão feita a
partir da Constituição Federal de 1988 não trou-
xe necessariamente um reconhecimento de forma
mais ampliada no que diz respeito aos direitos indí-
genas, limitando-se apenas a “proteção” das cultu-
ras indígenas.




