Eduardo Gomes da Silva Filho
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É necessário, entretanto, analisarmos a con-
juntura da implantação do Projeto Calha Norte por
uma perspectiva mais ampla, ao passo que existiam
outras prioridades como nos aponta João Pacheco
de Oliveira,
Na elaboração do PCN foram priorizados quatro
pontos básicos: a) aumento da presença militar na
fronteira; b) incremento das relações bilaterais; c)
demarcação das fronteiras; d) política indigenista
apropriada à região. [...] O Calha Norte foi delinea-
do como um projeto essencialmente militar, na es-
fera dos limitados e sacralizados princípios da se-
gurança nacional (OLIVEIRA, 1990, p. 23-24).
Verifica-se na fala do autor, a dimensão que
estava por trás da estratégia de implantação dos
Batalhões de Infantaria de Selva, pois, além disso,
muitos outros interesses estavam em questão, isso
pode ser confirmado na sua própria fala acerca da
questão:
“É nesse sentido, que a implementação do
PCN estaria a exigir uma revisão de disposições le-
gais e administrativas que emolduram a política in-
digenista, qualquer que seja o eventual mandatário
do órgão tutelar” (Ibid., p. 25).
Desde o início das articulações do projeto,
já havia uma grande preocupação por parte dos
missionários ligados à igreja católica, ao passo que
isso acabou sendo discutido por um grupo ligado à
Prelazia de Itacoatiara, que servia de sede para os
encontros missionários.
Em uma dessas reuniões o missionário
Egydio Schwade, apresentou um relatório expondo
às causas e consequências do Projeto Calha Norte
para os índios Waimiri-Atroari e para os demais po-
vos indígenas da Amazônia. Ele deu ao documento
o título “
Waimiri-Atroari: Uma experiência ilustrativa
”
e comentou:




