Eduardo Gomes da Silva Filho
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vés de processos de caráter mais funcional (econô-
mico-político) ou mais simbólico (político-cultural)
na relação que desenvolvem com os “seus” espa-
ços, dependendo da dinâmica de poder e das es-
tratégias que estão em jogo (HAESBAERT, 2011,
p. 95-96).
Já para os militares, o conceito de territó-
rio
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é norteado tão somente pelo domínio e controle
geopolítico do seu próprio espaço geográfico, sen-
do assim, às populações tradicionais colocaram-se
em rota de colisão, resistiram à ação dos Grandes
Projetos, tornando-se um “obstáculo” para os mili-
tares. É nesse contexto, que o povo Waimiri-Atroari
resistiu à abertura da BR 174 em seu território tra-
dicional, no entanto, como aponta os relatos descri-
tos no livro “A ditadura militar e o genocídio do povo
Waimiri-Atroari”, baseado no Relatório do Comitê
Estadual de Direito à Verdade, à Memória e à Justiça
do Amazonas, “Necessita-se mudar a maneira de
se relacionar com os Waimiri-Atroari, imposta pelo
Governo Militar desde o final da década de 1960 e
que subordinou o indigenismo oficial aos interesses
empresariais” (COMITÊ ESTADUAL DO AMAZONAS,
2014, p. 31).
Portanto, mesmo com a extinção do antigo
Serviço de Proteção ao Índio – SPI, em 1967 e com a
criação da Fundação Nacional do Índio – FUNAI, no
6 De acordo com Haesbaert (2011), em termos etimológicos, a palavra
território vem do latim
territorium
, que significa basicamente, pedaço
de terra apropriado. Dessa maneira, o vocábulo latino terra é funda-
mental para entender o significado da palavra território, na medida
em que explicita sua estreita ligação com a terra, como uma espécie
de fragmento do espaço onde se constroem relações tanto de base
materialista quanto de base idealista. É importante salientar o cará-
ter político do conceito, quando estudamos sua origem etimológica,
já que nela constata-se um caráter dúbio, onde se confundem as
palavras
territorium
no sentido de apropriação da terra com térreo ou
territor
, no sentido de aterrorizar ou aquele que aterroriza.




