Eduardo Gomes da Silva Filho
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A Amazônia e o Plano de Integração Nacional:
Os projetos de expansão e o avanço do capital
nas terras indígenas
Com o golpe civil-militar de 1964, a
Amazônia brasileira foi posta na rota de explora-
ção econômica gerada a partir de uma estratégia
política de expansão da fronteira agropecuária,
concessão de incentivos fiscais, construção de
polos minerais e siderúrgicos, rodovias, hidrelé-
tricas, além da exploração de madeireiras. No en-
tanto, as estratégias geopolíticas e a tentativa de
dominação territorial, não levaram em considera-
ção o modo de vida das sociedades tradicionais da
Amazônia.
De acordo com Jean Hébette, “o grande ca-
pital penetrou nas áreas indígenas, cortou as re-
servas, lavrou o subsolo, alagou aldeias; a cultura
tradicional dos índios foi ferida, a sua liberdade an-
cestral ameaçada” (HÉBETTE, 1991, p.7). No entan-
to, houve resistência e isso de certa forma foi su-
blimado por interesses escusos dos militares e das
multinacionais.
Octavio Ianni, em seu livro Ditadura e
Agricultura (1986), parte da premissa que, duran-
te o regime militar, o Estado brasileiro adotou uma
política repressiva e agressiva de subordinação da
agricultura ao capital e que os governos militares fo-
ram levados a comprometer profundamente o apa-
relho estatal com os interesses do capital monopo-
lista estrangeiro e nacional. Acarretando, assim, a
desnacionalização da nossa economia. Ianni rompe
com o conceito de centro/periferia ao estudar o mo-
vimento do capitalismo, inserindo a noção de movi-
mento desigual e combinado.




