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Protagonismo e resistência dos Waimiri-Atroari na Amazônia
sas para a Região Amazônica, haja vista que, basica-
mente, não se produz nada, apenas se monta.
Dando continuidade as suas pretensões e
na tentativa de mapear minérios na Amazônia, o
Plano Nacional de Integração financiou o chama-
do projeto “Radar na Amazônia” – RADAM, inicia-
do no ano de 1971, com o levantamento aéreo da
região. Ainda de acordo com Davis (1978, p. 118-
119), no ano de 1973, havia cerca de 21 projetos
geológicos na Bacia Amazônica, como parte de uma
estratégia desenvolvida pelo Programa de coopera-
ção, em parceria com o Departamento Nacional de
Produção Mineral – DNPM, Companhia de Pesquisa
de Recursos Minerais – CPRM, além do
Geological
Survey
dos Estados Unidos, com o patrocínio da
Agência para o Desenvolvimento Internacional dos
Estados Unidos.
Estima-se que naquela época já havia, apro-
ximadamente, 225 geólogos e engenheiros, rea-
lizando um processo de investigação mineral na
Amazônia, com mais de 125 na cidade de Belém,
40 em Manaus e 60 em Porto Velho. Portanto, não
foi por acaso que essa política intervencionista e de
cooperação internacional tinha sido cuidadosamen-
te idealizada e desenvolvida. Mesmo antes dos mili-
tares tomarem o poder, no ano de 1961 já havia sido
inaugurada (mesmo sem asfalto), a Rodovia Belém-
Brasília (BR 010), em uma tentativa de recuperação
do modelo pós-década de 1950, que visava interli-
gar o Estado de Goiás (e posteriormente, a partir de
1989, o Estado de Tocantins) à Brasília.
Em 27 de agosto de 1972, o general
Emílio Garrastazu Médici inaugurou a Rodovia
Transamazônica
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, também conhecida como BR
13 “[...] o objetivo principal na construção da Transamazônica não era
a “integração” dos povos indígenas: “O mais importante é afastar, e
rapidamente, os possíveis obstáculos à passagem das máquinas de




