Table of Contents Table of Contents
Previous Page  47 / 332 Next Page
Information
Show Menu
Previous Page 47 / 332 Next Page
Page Background

Eduardo Gomes da Silva Filho

47

é historicamente datado, e que de maneira alguma

se prestou apenas a essa região e a seus habitantes”

(OLIVEIRA, 2012, p.16). Boa parte deste fenômeno

ocorreu pelo deslocamento de trabalhadores bra-

çais, garimpeiros, trabalhadores do campo, entre

outros, como forma de subsistência, como aponta-

mos anteriormente.

De acordo com Rogério Haesbaert (2011), os

processos de desterritorialização e reterritorializa-

ção podem ser compreendidos a partir da análise

de três matrizes diferentes: uma econômica, a outra

política e uma terceira cultural, porém o autor deixa

claro que isto não significa a adoção de uma postura

estruturalista, apenas uma forma sistematizada de

análise.

5

O autor ainda esclarece como ocorre o pro-

cesso de territorialização, que, segundo ele, apoia-se

em domínios políticos e econômicos. Essa apropria-

ção do espaço tem um caráter simbólico e cultural

desenvolvido pelos grupos humanos que o habitam.

Nesse sentido, a arquitetura do projeto gover-

namental, atrelado ao discurso de integração nacio-

nal do Estado brasileiro frente aos povos indígenas,

legitimou tão somente o seu próprio autoritarismo,

criando um regime de grande burocracia estatal,

para alimentar um novo ciclo de desenvolvimento

econômico, violando direitos dos povos tradicionais.

Já João Pacheco de Oliveira em seu artigo

denominado “

Uma etnologia dos “índios mistura-

dos”? Situação colonial, territorialização e fluxos cul-

turais

”, argumenta que processo de territorialização

pode ser compreendido ao observarmos os diferen-

tes modelos políticos e administrativos coloniais e

de sociedades tradicionais. Dessa forma o autor di-

reciona que:

5 Acerca do imbricamento entre social e cultura, Cf. PROST, Antoine.

Social e Cultura Indissociavelmente. Editorial Estampa, Lisboa,

1998.