Eduardo Gomes da Silva Filho
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é historicamente datado, e que de maneira alguma
se prestou apenas a essa região e a seus habitantes”
(OLIVEIRA, 2012, p.16). Boa parte deste fenômeno
ocorreu pelo deslocamento de trabalhadores bra-
çais, garimpeiros, trabalhadores do campo, entre
outros, como forma de subsistência, como aponta-
mos anteriormente.
De acordo com Rogério Haesbaert (2011), os
processos de desterritorialização e reterritorializa-
ção podem ser compreendidos a partir da análise
de três matrizes diferentes: uma econômica, a outra
política e uma terceira cultural, porém o autor deixa
claro que isto não significa a adoção de uma postura
estruturalista, apenas uma forma sistematizada de
análise.
5
O autor ainda esclarece como ocorre o pro-
cesso de territorialização, que, segundo ele, apoia-se
em domínios políticos e econômicos. Essa apropria-
ção do espaço tem um caráter simbólico e cultural
desenvolvido pelos grupos humanos que o habitam.
Nesse sentido, a arquitetura do projeto gover-
namental, atrelado ao discurso de integração nacio-
nal do Estado brasileiro frente aos povos indígenas,
legitimou tão somente o seu próprio autoritarismo,
criando um regime de grande burocracia estatal,
para alimentar um novo ciclo de desenvolvimento
econômico, violando direitos dos povos tradicionais.
Já João Pacheco de Oliveira em seu artigo
denominado “
Uma etnologia dos “índios mistura-
dos”? Situação colonial, territorialização e fluxos cul-
turais
”, argumenta que processo de territorialização
pode ser compreendido ao observarmos os diferen-
tes modelos políticos e administrativos coloniais e
de sociedades tradicionais. Dessa forma o autor di-
reciona que:
5 Acerca do imbricamento entre social e cultura, Cf. PROST, Antoine.
Social e Cultura Indissociavelmente. Editorial Estampa, Lisboa,
1998.




