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Protagonismo e resistência dos Waimiri-Atroari na Amazônia

O movimento pelo qual um objeto político-admi-

nistrativo – nas colônias francesas seria a “etnia”,

na América espanhola as “reducciones” e “resguar-

dos”, no Brasil as “comunidades indígenas” – vem

a se transformar em uma coletividade organizada,

formulando uma identidade própria, instituindo

mecanismos de tomada de decisão e de representa-

ção, e reestruturando as suas formas culturais (in-

clusive, as que o relacionam com o meio ambiente e

com o universo religioso [...] As afinidades culturais

ou linguísticas, bem como os vínculos afetivos e

históricos porventura existentes entre os membros

dessa unidade político-administrativa (arbitrária

e circunstancial), serão retrabalhados pelos pró-

prios sujeitos em um contexto histórico determi-

nado e contrastados com características atribuídas

aos membros de outras unidades, deflagrando um

processo de reorganização sociocultural de amplas

proporções (OLIVEIRA, 1998, p. 10).

Para o geógrafo Claude Raffestin (1993), es-

paço e território são termos distintos, onde o espaço

é anterior ao território e este se forma a partir de

atores que realizam um programa de ocupação em

qualquer nível. Ao se apropriar de um determina-

do espaço, este autor o territorializa, evidenciando

o espaço como um lugar de projeção de trabalho,

energia, informação e que revelam relações marca-

das pelo poder.

Consequentemente, Rogério Haesbaert (2011),

aprofunda esta discussão e expõe outros caminhos

para compreendermos as relações existentes entre

território e desterritorialização:

Poderíamos dizer que o território, enquanto rela-

ção de dominação e apropriação sociedade-espaço,

desdobra-se ao longo de um contínuum que vai da

dominação político-econômica mais “concreta” e

“funcional” à apropriação mais subjetiva e/ou”cul-

tura-simbólica”. Embora seja completamente equi-

vocado separar estas esferas, cada grupo social,

classe ou instituição pode “territorializar-se” atra-