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Protagonismo e resistência dos Waimiri-Atroari na Amazônia
das terras para colheita e cultivo da borracha, o que
garantiu o crescimento da economia amazonense
por algumas décadas. Vale assinalar que com a de-
cadência do ciclo da borracha, após os anos 40, a
área sofreu invasões esporádicas por interessados
na coleta de castanhas e extração do látex. Cerca de
3.000 mil índios habitavam e defendiam o território
há mais de um século, no mínimo:
Nos anos 70, o Brasil viveu a euforia do “milagre
econômico”. Tal acontecimento representou uma
nova fase do capitalismo no país. É quando se in-
tensifica a penetração do capital no campo e quan-
do extensas áreas, ainda não exploradas de forma
satisfatória em termos econômicos, são incorpora-
das à economia de mercado. É dentro deste contex-
to, que se intensificam os contatos com os índios
conhecidos como Waimiri-Atroari. Estes, totalizan-
do aproximadamente 3.000 mil índios, viviam em
uma espécie de refúgio florestal entre os rios Alalaú
e Jauaperi, onde por mais de um século vinham
conseguindo, com sucesso, defender seus territó-
rios contra a penetração do branco (Memorando
662/85, AESP/FUNAI, 1985, p.1).
Como mostra o documento, uma equipe téc-
nica da FUNAI, reconheceu o número aproximado de
3.000 mil índios vivendo e defendendo seus territó-
rios, isto coincidiu justamente na época em que os
projetos desenvolvimentistas do Governo civil-mili-
tar adentraram nas suas terras.
Atualmente, o povo Waimiri-Atroari faz parte
de um programa financiado pela FUNAI, em parce-
ria com a Eletronorte, sob a alcunha de Programa
Waimiri-Atroari ou simplesmente PWA, que objetiva
diminuir os impactos causados no seu território, tradi-
cionalmente ocupado, a partir de ações mitigadoras.
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3 Nós iremos nos deter com mais propriedade neste assunto no quar-
to capítulo, onde abordaremos a questão do PWA frente ao povo
Waimiri-Atroari.




