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Protagonismo e resistência dos Waimiri-Atroari na Amazônia
Isso pode ser confirmado quando analisamos
o chamado Plano de Integração Nacional – PIN
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que,
de acordo com Jean Hébette (1991), ficou sob o co-
mando do regime militar, que implementou a cons-
trução das grandes rodovias com uma associação à
política de ocupação dos “espaços vazios”, ou seja,
naquele momento, a Amazônia brasileira.
Nesse sentido, a pretensão de integrar o país
estava lançada, porém, as articulações do governo
também envolviam o capital estrangeiro, como in-
dica Octávio Ianni (1979), houve uma tentativa es-
drúxula do controle do fluxo migratório e de terras
nas mãos da iniciativa privada, gerando uma espécie
de “contrarreforma agrária” no Brasil.
Portanto, verifica-se que este novo panorama
colonial promovido pelo governo civil-militar no ter-
ritório amazônico, com o controle do fluxo migratório
ao longo, principalmente, das grandes rodovias e das
demais obras de cunho desenvolvimentista, provo-
cou no espaço geográfico amazônico dois processos
distintos, a saber: um de desterritorialização, pro-
vocado pelo fluxo de emigrantes que se deslocaram,
principalmente, do nordeste brasileiro, em busca de
emprego e renda nas frentes de trabalho do extremo
norte do país, em boa parte motivados pela propa-
ganda do Governo; e outro de reterritorialização, im-
pulsionado pelas diversas famílias que ocuparam o
espaço Amazônico.
No entanto, João Pacheco de Oliveira faz o se-
guinte alerta, “É preciso perceber que esse discurso
4 O Plano de Integração Nacional ou, simplesmente, PIN foi um progra-
ma de cunho geopolítico criado pelo Governo militar brasileiro atra-
vés do Decreto-Lei Nº1106, de 16 de julho de 1970, assinado pelo
Presidente Médici. O autor ainda aponta que nesse período houve a
determinação para a construção da Transamazônica (BR 230) e da
Cuiabá-Santarém (BR 163). Cf. MARTINS, José de Souza. Fronteira:
A degradação do ouro nos confins humanos. São Paulo: Hucitec,
1997.




