Eduardo Gomes da Silva Filho
43
No ano de 1986, José Porfírio de Carvalho
percorreu toda a extensão do rio Uatumã à montan-
te da barragem da Usina Hidrelétrica de Balbina –
UHE, sem constatar qualquer sinal de ocupação não
indígena nas suas margens ou propriedades rurais
na região. Em 1987, as populações Waimiri-Atroari
dos aldeamentos Tapupunã e Taquari, são removi-
dos dos seus locais de moradia após enchimento do
reservatório da UHE Balbina.
A esse respeito, o antropólogo da UnB Stephen
Grant Baines em sua obra “
A Usina Hidrelétrica de
Balbina e o deslocamento compulsório dos Waimiri-
Atroari
” comenta:
Toda a área inundada fazia parte do território dos
Waimiri-Atroari até o início da década de 1970,
onde cerca de aproximadamente 311 km2 da área
inundada estão dentro do território que foi demar-
cado, para os Waimiri-Atroari depois do desmem-
bramento de 1981 (BAINES, 1994, p. 3).
Em 1995, os índios Waimiri-Atroari reocu-
param as pontas de terras em parte da área alaga-
da pelo reservatório de Balbina, fundando a aldeia
Wariné nas proximidades da antiga foz do igarapé
Água Branca, fora da área atualmente demarcada e
homologada. No entanto, de acordo com o Relatório-
diagnóstico produzido pela Eletrobras em parceria
com a Eletronorte (1987, p. 196) “o primeiro evento
referente à criação da reserva Waimiri-Atroari foi em
1917, através da lei nº 941 de 16/10/1917”, onde as
terras da margem direita do rio Jauaperi foram des-
tinadas aos índios em questão, uma vez que nessa
área já havia sido instalado pelo antigo SPI um posto
indígena chamado Mahauá.
Em 1921, essa lei é revogada por ato do Poder
Judiciário, o que permitiu a ocupação do território
indígena, tal ação propiciou a venda e a exploração




