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Protagonismo e resistência dos Waimiri-Atroari na Amazônia

sobre a existência de várias malocas Waimiri-Atroari

no rio Camanaú, segundo seu relato, ele se comuni-

cava com os índios que habitavam os rios Alalaú e

Branquinho e com outras malocas existentes no rio

Jatapú, este último afluente da margem esquerda do

rio Uatumã.

A partir de 1956, a inspetoria regional do SPI

propõe a reabertura do posto indígena de atração

do rio Camanaú, afirmando que os índios se encon-

travam nas cabeceiras do rio Uatumã, onde preten-

diam fazer nova aproximação. No entanto, só a par-

tir de 1967, uma equipe de atração da recém-criada

Fundação Nacional do Índio – FUNAI deparou-se

com um grupo de, aproximadamente, 50 Waimiri-

Atroari, acampados nas proximidades da foz do rio

Pitinga, encontrando a partir desse local, subindo o

rio Uatumã, diversos outros agrupamentos desses

indígenas em atividades de caça e pesca.

No mesmo ano, alguns índios Waimiri-Atroari

informaram, aos integrantes da expedição de atração

da FUNAI, a existência de uma grande maloca situada

em terras altas e afastadas da margem esquerda do

rio Uatumã, fato que seria verificado pouco tempo de-

pois em sobrevoos realizados na região do rio Pitinga.

Todavia, Silvano Sabatini (1998) nos aponta

que no ano seguinte em 1968, o sertanista Gilberto

Pinto Figueiredo Costa trava contato direto com os

Waimiri-Atroari, no rio Santo Antônio do Abonari,

afluente da margem direita do rio Uatumã, onde

pouco tempo depois seria massacrada a expedição

do padre Giovanni Calleri.

Já em 1979, um estudo realizado pelo serta-

nista Giuseppe Cravero, reconhece que a porção les-

te da reserva indígena Waimiri-Atroari, à direita da

BR-174, continuava a ser utilizada pelos índios para

a colheita de ovos de tracajá, sendo área tradicional

de moradia, caça e pesca.