40
Protagonismo e resistência dos Waimiri-Atroari na Amazônia
afirmando que este curso d’água permanecia deserto
da primeira cachoeira para cima em razão da pre-
sença dos índios. Nessa viagem, o Inspetor do SPI
constatou que os Waimiri-Atroari costumavam fre-
quentar a cachoeira Maximiana, encontrando de-
fronte a esta queda d’água do Uatumã grande pro-
dução de machados e outros instrumentos de pedra
fabricados pelos índios.
No mês de setembro do mesmo ano, um em-
pregado da Inspetoria do SPI atravessou as seis pri-
meiras cachoeiras do rio Uatumã e, depois de ter
começado a construção de um barracão e o plan-
tio de uma roça, abandonou subitamente o local
após encontrar na mata vestígios dos índios. Alípio
Bandeira menciona que toda a região delimitada en-
tre o rio Uatumã, a oeste e o rio Jatapú, a leste, tinha
sido povoada por índios Uassahi, Bonari, Aruaqui e
Parequi. A esse respeito, Alípio Bandeira comenta:
Não se sabe com certeza a proveniência dos índios
que habitam atualmente o rio Jauapery. Ignora-se
também o seu número e até o nome genérico que
lhes deve caber. Barbosa Rodrigues chamou-os de
Crichanás, sem de nenhum modo justificar seme-
lhante denominação; Richard Payer, de Jauapery
e Uaimiry; Georg-Hubner, de Jauapery, Paravary,
Atruahy, Amparo, Suare e Kabinaro. O grupo com
quem travei relações em 1911 apresentou-se como
sendo Atruahy (BANDEIRA, 2009, p. 27).
As palavras de Bandeira descrevem os pri-
meiros contatos estabelecidos entre ele e os índios,
dois anos depois, em 1913, o SPI destaca que o rio
Uatumã era, pela presença do “gentio”, totalmente
deserto, da primeira cachoeira em diante, de “gente
civilizada”. Em 1916, o Inspetor do SPI Bento Lemos,
informa que os Waimiri-Atroari realizavam a traves-
sia da bacia do rio Jauaperi
2
para a do Uatumã, di-
2 Alípio Bandeira atribui a grafia do rio Jauaperi com a letra “Y”.




