Eduardo Gomes da Silva Filho
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Dessa forma, Egydio continua sua descrição,
conforme relatório produzido em 1983 e apresentado
em 26 de setembro do mesmo ano, na Prelazia de
Itacoatiara, em uma reunião do Movimento de Apoio
à Resistência Waimiri-Atroari – MAREWA: “A exis-
tência de recursos naturais como gomas elásticas,
madeiras de lei, pau rosa, óleos vegetais, frutas e
resinas, além de minérios e a abundância de peixes e
de caça, atraiu muita gente para a região, sobretudo
a partir do século passado” (RELATÓRIO MAREWA,
1983, p. 7).
No entanto, às atividades de caça, da pes-
ca, agricultura e colheita, fazem parte da cultura
do povo Waimiri-Atroari, entre eles não há classes
sociais, como as do homem branco. Todos têm os
mesmos direitos e recebem o mesmo tratamento. A
terra, por exemplo, pertence a todos e quando um
índio caça, costuma dividir com os habitantes de sua
tribo. Apenas os instrumentos de trabalho (macha-
do, arcos, flechas, arpões) são de propriedade indivi-
dual. O trabalho na tribo é realizado por todos, po-
rém possui uma divisão por sexo e idade. As mulhe-
res são responsáveis pela comida, crianças, colheita
e plantio. Já os homens da tribo ficam encarregados
do trabalho mais pesado. A coletividade era uma ca-
racterística marcante entre os índios. Suas cabanas
eram divididas entre vários casais e seus filhos,
Descrita a organização social dos Waimiri-
Atroari em seus aspectos centrais, passaremos a
narrar, a partir das fontes disponíveis e da literatura
etnológica, um breve histórico do contato desse gru-
po indígena com a sociedade envolvente.
Em 1922, Alípio Bandeira escreveu o livro
Jauapery, referente à época em que foi capitão de
infantaria e chefe da 1ª Inspetoria Regional do antigo
Serviço de Proteção aos Índios – SPI, em 1911. Neste
mesmo ano, ele fez uma expedição ao rio Uatumã,




