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Protagonismo e resistência dos Waimiri-Atroari na Amazônia
mos ao pesquisador Paulo Pinto Monte, que em sua
dissertação de Mestrado descreveu a etno-história
desse povo, segundo o autor “diversas etnias ha-
bitavam o território atual dos Waimiri-Atroari, em
meados do século XVIII, eram identificados na re-
gião os Pariquis, Arauaquis, Cirucumás, Caripunás
e Sedahis.” (MONTE, 1992, p. 15).
De acordo com o antropólogo Carlos Moreira
Neto (1975), os povos Waimiri e Atroari são do grupo
linguístico Karib, seu território imemorial de ocu-
pação vai do norte do Estado do Amazonas até ao
sul do território Federal de Roraima. O seu territó-
rio tradicional limita-se a oeste com os rios Negro e
Branco e ao sul com o rio Amazonas.
Corroborando com esse entendimento,
Barbosa Rodrigues (1885) classificou-os como
Crichanás, quando segmentos expansionistas da
sociedade brasileira travaram seus primeiros con-
tatos com eles, sobretudo a partir do século XIX.
Ressalta esse autor que a origem do povo Waimiri-
Atroari é proveniente de outras etnias, “[...] o tron-
co Ipurucotó bifurcou-se, dando origem aos ramos
Crichaná e Macuchy [...].” (RODRIGUES, 1885, p.
137).
Nessa ótica, o relatório produzido no ano
de 1983, na cidade de Itacoatiara, pelo indigenista
Egydio Schwade, descreve que os povos Karib são
oriundos de floresta tropical, fazem as suas aldeias
em lugares próximos de cursos d’água importantes
para a pesca e navegação e praticam uma agricultu-
ra típica de floresta tropical. Ainda segundo Egydio,
todos esses aspectos de organização e de sobrevi-
vência interna dos Waimiri-Atroari foram profunda-
mente atrapalhados com a presença do tipo capita-
lista de coleta, com o advento do extrativismo, que
penetrou em seus territórios, sem se importar em
manter um prévio contato humano.




