156
Protagonismo e resistência dos Waimiri-Atroari na Amazônia
FUNAI, o Governo do Estado do Paraná, o Governo
Federal e a Eletrosul, de desalojarem os índios das
etnias
Kaingang
e
Mbya-Guarani
do Posto Indígena
de Mangueirinha, em detrimento dos interesses des-
ses órgãos em suas terras. O mais agravante, foi à
perda de 8.975 hectares das terras indígenas, que
foram desmembradas do seu território tradicional e
não foram demarcadas posteriormente.
O terceiro caso foi exposto pelo antropólogo
Vincent Carelli, a respeito dos índios
Nambiquara
,
do Vale do Guaporé, habitantes do noroeste de
Rondônia e que estavam sofrendo as consequências
do processo de integração proposto pelo Governo
com o apoio da FUNAI e do Estado do Mato Grosso.
Somam-se a isso, as acusações à FUNAI pela emis-
são de certidões negativas falsas, que atestavam de
forma inapropriada a inexistência de silvícolas no
território pretendido pelo o Estado de Mato Grosso.
Egydio Schwade denunciou o caso dos índios
Waimiri-Atroari, a invasão e o controle de suas ter-
ras por parte dos não indígenas, além da extrema
opressão e exploração que eles vinham sofrendo,
principalmente com o avanço das Frentes de Atração
da FUNAI em seu território. A esse respeito, os in-
tegrantes do
Tribunal Russell
fizeram os seguintes
apontamentos: “
Queremos señalar especialmente
los contínuos assaltos militares contra los Waimiri
y Atroari em el Norte del Brasil, que produjeron en-
tre 1968 y 1975, uma redución de la población alar-
mante
(de 3000 a 600-1000)” (TRIBUNAL RUSSELL,
1980, p. 43).
E segundo o Comitê Estadual do Amazonas,
os integrantes do Tribunal continuaram com a sua
explanação:
“queda absolutamente claro que existen gra-
ves violaciones de los Derechos Humanos” [e]
“Etnocidios” [por:]




