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Protagonismo e resistência dos Waimiri-Atroari na Amazônia
económico, social y cultural
” (TRIBUNAL RUSSELL
,
1980, p. 4).
No que diz respeito aos casos de violações
dos direitos dos povos indígenas no Brasil, foram fei-
tas quatro denúncias: a primeira delas, por Márcio
Souza, a qual ele chamou de “caso Rio Negro”, onde
o denunciante expôs a situação dos índios das et-
nias Aruak e Tunako frente aos desmandos cometi-
dos pela ordem Salesiana, na figura do seu Bispo D.
Miguel F. Alagna, acusado de fomentar o etnocídio
daqueles povos. Sobre esse fato, a reportagem do
Jornal Folha de São Paulo esclarece-nos:
“Racismo”, “negligência genocida”, “apropriação ilí-
cita de terras tradicionais e legalmente indígenas”
e “atos etnocidas sistemáticos” contra a popula-
ção de quase 17 mil índios do Vale do rio Negro,
no Estado do Amazonas. Estas são as principais
acusações que pesam contra as missões dos pa-
dres salesianos da Prelazia do Rio Negro e seu bis-
po Dom Miguel Alagna- que atua na região desde
1915- junto ao Tribunal Bertrand Russell. As de-
núncias estão contidas num documento assinado
pelo escritor amazonense Márcio Souza. Já entre-
gue e aceito pelo Tribunal Internacional Bertrand
Russell que vai julgar as acusações sobre a atua-
ção dos padres na área do Rio Negro em princípios
de novembro (FOLHA DE SÃO PAULO, 1980).
No mesmo jornal ainda são relatados os mo-
dos como as missões salesianas tratam os índios, “As
missões salesianas mantêm a mais tradicional linha
de ação da Igreja Católica junto a áreas indígenas do
Brasil. [...] baseiam-se no princípio ultrapassado que
todo índio é um “pagão” sendo preciso “catequizá-lo”
para que se integre ao sistema sócio-econômico” [
sic
]
(FOLHA DE SÃO PAULO, 1980).
Nesse sentido, a Igreja Católica já havia se
mobilizado antes, com o objetivo de tentar barrar
as denúncias, apelando ao Papa João Paulo II – é




