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Eduardo Gomes da Silva Filho

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Em 1980 o evento foi novamente realizado,

desta vez na cidade de Rotterdam na Holanda, onde

foram analisadas e discutidas denúncias sobre a si-

tuação dos índios do Brasil. Porém, a ditadura ci-

vil-militar tentou impedir que lideranças indígenas

participassem do evento no exterior, para que não

fossem feitas denúncias. O caso que mais chamou a

atenção foi o do índio Mário Juruna, líder Xavante,

que se tornaria Deputado Federal e constituinte, cha-

mado para participar da quarta edição do “Tribunal

Bertrand Russell

” que examinaria as denúncias de

genocídio de índios no Brasil, em 1980.

Por sua vez, o Governo Federal tentou im-

pedir Juruna de viajar, para agravar a situação, a

FUNAI era subordinada ao Ministro do Interior, por-

tanto, militarizada sob o comando do Coronel Nobre

da Veiga, que chegou a afirmar que Juruna não ti-

nha conhecimento da situação dos índios.

A reportagem do dia 10 de novembro de 1980

do Jornal Folha de São Paulo, noticiou o episódio,

dando destaque à negação do Itamaraty ao passa-

porte da liderança indígena, vejamos: “O Itamaraty

não vai fornecer passaporte ao cacique Mário

Juruna, [...] para participar do

Tribunal Russell

deve

permanecer no ambiente do Ministério da Justiça,

informaram ontem fontes do Itamaraty” (FOLHA DE

SÃO PAULO, 1980).

No entanto, o frágil argumento apresenta-

do pelo Coronel foi derrubado logo em seguida pela

Justiça Federal, que obrigou a cumprir a lei e au-

torizou o índio Juruna a viajar. Representantes do

Conselho Indigenista Missionário-CIMI, foram envia-

dos pelo Brasil ao evento, além de outros militan-

tes da causa indígena como, Darcy Ribeiro, Álvaro

Sampaio, Márcio Souza, Anna Lange, Vincent Carelli

e Memélia Moreira. O cacique Juruna foi escolhido

Presidente do Tribunal e isso sem dúvida alguma foi