Eduardo Gomes da Silva Filho
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o que nos apontou outra matéria publicada pelo
Jornal Folha de São Paulo, em 14 de março de 1980,
vejamos:
Por influência da Congregação dos Padres Salesia-
nos, o Papa João Paulo II deverá visitar a região
do rio Negro, na Amazônia, onde vivem atualmente
quase 20 mil índios brasileiros de 12 nações dife-
rentes – entre eles os Tariana, Maku, Tukano, Des-
sauo, Piratapuia e Passé. Pressões nesse sentido
estão sendo feitas no Vaticano junto à Santa Sé e
a visita do Papa - quando de sua estadia no Brasil
em julho – à região do rio Negro está praticamente
assegurada. [...] A visita do Papa à região interessa
particularmente aos padres salesianos que atuam
na área e mantêm uma conduta tradicionalista de
“catequisar índios”, principalmente porque a Con-
gregação dos Salesianos já tomou conhecimento
de que graves denúncias contra a atuação deles
na região – não aprovadas pelos padres do Con-
selho Indigenista Missionário – comecem a chegar
na Organização das Nações Unidas, à organização
dos estados Americanos e aos foros internacionais
oficializadas pelo recém-fundado Conselho dos po-
vos Indígenas da América do Sul (FOLHA DE SÃO
PAULO, 1980).
Corroborando com este entendimento, meses
mais tarde, o jornal voltou a noticiar o fato, “
Tribos
indígenas do rio Negro são exploradas
” (FOLHA DE
SÃO PAULO, 1980). No entanto, quatro anos antes,
a mesma ordem Salesiana já havia admitido a venda
de terras indígenas, como apontou a reportagem do
Jornal O Estado de São Paulo:
“O Padre Gonçalo Uchôa, da missão Salesiana
que atende aos índios bororós de Meruré em Mato
Grosso, admitiu ontem que os missionários real-
mente compraram e venderam terras indígenas [...]”
(O ESTADO DE SÃO PAULO, 1976).
Outra grave denúncia partiu do coordenador
do CIMI-Sul, Wilmar Rocha D’Angelis, que acusou a




