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Protagonismo e resistência dos Waimiri-Atroari na Amazônia

Destarte, outras ações também faziam par-

te da estratégia do movimento, entre elas estavam:

“Todas as manifestações públicas pró-Waimiri/

Atroari, (palestras, debates, atos públicos, passeatas

e aulas), seja dada oportunidade ao povo de apresen-

tar sugestões a respeito da questão; [...]” (MAREWA,

1983, p. 31). Nesse sentido, o Marewa pretendia se

consolidar como um programa de ação, em parce-

ria com a sociedade civil, para denunciar as graves

violações ocorridas contra os índios. Para que isso

fosse possível, essa parceria teria que tomar outras

iniciativas:

Sejam enviados também cartas ou telegramas de

protesto contra a política genocida que está sendo

aplicada contra os Waimiri/Atroari e de solidarie-

dade à resistência desses índios. Sugerimos que

essas mensagens sejam endereçadas à Presidên-

cia da República, FUNAI e Ministério do Interior

– MINTER, órgãos com poderes determinantes em

relação à causa indígena. Pedimos que as cópias

dos protestos ou solidariedade, sejam enviadas aos

endereços do Movimento de Apoio à Resistência

Waimiri/Atroari, no Amazonas (REVISTA MARE-

WA, 1983, p. 31).

O modo como isso ocorreu, não tinha só um

apelo religioso, como era frequentemente rechaçado

pelos militares, em detrimento do “avanço do pro-

gresso no país”, mas sem dúvida alguma, além do

grito de alerta à sociedade civil, tratava-se também

de um movimento político de apoio à resistência

indígena, nesse sentido, as ações do Marewa per-

passam por toda a década de 1980, denunciando e

combatendo a instalação dos grandes projetos nas

terras indígenas. Entre as suas principais denún-

cias, também estavam às ações de grileiros, madei-

reiros, mineradoras e surtos de doenças entre os

indígenas.