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Protagonismo e resistência dos Waimiri-Atroari na Amazônia
No início de 1980 na Casa do Índio em Manaus,
durante 4 a 5 meses, acompanhamos os índios
doentes, a pedido da Funai, em virtude do médico
estar sempre ausente. Foi nesse período que conta-
tei pela primeira vez com os Waimiri-Atroari (adul-
tos e crianças). Lembro de ter tratado de alguns
índios com sarampo, e para tanto era oferecido a
nós uma “proteção” (funcionários do órgão) con-
tra esses terríveis índios (RELATÓRIO DE SAÚDE,
1986, p. 2).
Doentes e desassistidos, os Waimiri-Atroari
eram vistos como uma “ameaça”, exigindo a presença
de funcionários para mantê-los sob controle. Os pro-
blemas médico-sanitários enfrentados pelos índios
estavam atrelados ao avanço dos grandes projetos
da ditadura civil-militar sobre as suas comunidades.
Os missionários tinham a difícil tarefa de preservar
a sobrevivência de vários grupos indígenas, com des-
taque para os Waimiri-Atroari, enquanto estradas e
empresas mineradoras devassavam suas terras es-
palhando doenças, impactando o ambiente de onde
tiravam seus meios de vida e desorganizando suas
instituições.
Algumas propostas feitas inicialmente pelo
Marewa, a partir do plano de saúde indígena, bus-
cavam contemplar algumas ações, senão, vejamos:
Plano de Saúde Preventiva (imunização) regular e
contínua, procurando uniformizar os dados entre
o órgão oficial (Funai), Instituto de Medicina Tropi-
cal, CIMI (Projeto MAREWA) e Hospital de Presiden-
te Figueiredo, a fim de se evitar número incompleto
de vacinados ou até superdoses. Condições básicas
de alimentação aos índios para, inicialmente for-
talecer seus sistemas imunológicos, preparando-
-os inclusive para o futuro, quando atualmente já
convivem com tantas agressões ao seu habitat, e
que tiveram início (mais intensamente) quando da
construção da rodovia Manaus/Boa Vista (RELA-
TÓRIO DE SAÚDE, 1986, p. 5).




