Table of Contents Table of Contents
Previous Page  132 / 332 Next Page
Information
Show Menu
Previous Page 132 / 332 Next Page
Page Background

132

Protagonismo e resistência dos Waimiri-Atroari na Amazônia

No início de 1980 na Casa do Índio em Manaus,

durante 4 a 5 meses, acompanhamos os índios

doentes, a pedido da Funai, em virtude do médico

estar sempre ausente. Foi nesse período que conta-

tei pela primeira vez com os Waimiri-Atroari (adul-

tos e crianças). Lembro de ter tratado de alguns

índios com sarampo, e para tanto era oferecido a

nós uma “proteção” (funcionários do órgão) con-

tra esses terríveis índios (RELATÓRIO DE SAÚDE,

1986, p. 2).

Doentes e desassistidos, os Waimiri-Atroari

eram vistos como uma “ameaça”, exigindo a presença

de funcionários para mantê-los sob controle. Os pro-

blemas médico-sanitários enfrentados pelos índios

estavam atrelados ao avanço dos grandes projetos

da ditadura civil-militar sobre as suas comunidades.

Os missionários tinham a difícil tarefa de preservar

a sobrevivência de vários grupos indígenas, com des-

taque para os Waimiri-Atroari, enquanto estradas e

empresas mineradoras devassavam suas terras es-

palhando doenças, impactando o ambiente de onde

tiravam seus meios de vida e desorganizando suas

instituições.

Algumas propostas feitas inicialmente pelo

Marewa, a partir do plano de saúde indígena, bus-

cavam contemplar algumas ações, senão, vejamos:

Plano de Saúde Preventiva (imunização) regular e

contínua, procurando uniformizar os dados entre

o órgão oficial (Funai), Instituto de Medicina Tropi-

cal, CIMI (Projeto MAREWA) e Hospital de Presiden-

te Figueiredo, a fim de se evitar número incompleto

de vacinados ou até superdoses. Condições básicas

de alimentação aos índios para, inicialmente for-

talecer seus sistemas imunológicos, preparando-

-os inclusive para o futuro, quando atualmente já

convivem com tantas agressões ao seu habitat, e

que tiveram início (mais intensamente) quando da

construção da rodovia Manaus/Boa Vista (RELA-

TÓRIO DE SAÚDE, 1986, p. 5).