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Eduardo Gomes da Silva Filho

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nunciar a situação dos índios, como conforme de-

monstra a matéria publicada no Jornal O Estado de

São Paulo, em 26 de outubro de 1975.

As coisas hoje em dia estão muito difíceis para os

nossos índios. As reservas estão cercadas pelas

agropecuárias, e cortada pelas estradas. A civili-

zação chegou de maneira violenta às proximidades

das aldeias e os índios não estão preparados para

diferenciar o “bom civilizado” do “mau civilizado”,

confraternizando-se com todo mundo: tuberculo-

sos, bandoleiros e prostitutas. (O ESTADO DE SÃO

PAULO, 1975).

Após estas declarações, o sertanista Apoena

Meirelles deixou a Frente de Atração Waimiri-Atroari,

em uma demonstração da sua insatisfação pela po-

lítica indigenista praticada pela própria FUNAI na

época. Ainda de acordo com o jornal, ele justificou a

sua saída do projeto, partindo da premissa dos valo-

res que aprendera com o seu pai Francisco Meirelles,

que também foi sertanista, falecido no ano de 1973.

Dessa maneira, o sertanista questiona: “Vamos inte-

grar o índio em quê? [...] no meio daqueles que mo-

ram nas periferias das suas reservas, que vendem

miseravelmente a sua força e capacidade aos substi-

tutos atuais dos senhores de engenho e coronéis de

sertão?” (O ESTADO DE SÃO PAULO, 1975, p. 2).

O discurso proferido por Apoena Meirelles foi

de encontro à política desenvolvimentista praticada

pela FUNAI e isso, provavelmente, foi o que lhe tirou

do comando da Frente de Atração. De acordo com

Carvalho (1982), ele foi substituído pelo sertanista

Sebastião Firmo, outrora ex-funcionário da Frente

de Atração comandada por Gilberto Pinto.

Os danos causados ao povo Waimiri-Atroari,

a partir da atuação da Frente de Atração estabele-

cida entre a parceria FUNAI / Exército, foram su-

mariamente denunciados por memorando, assina-