Eduardo Gomes da Silva Filho
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Acerca desta última denúncia, o casal de
missionários Egydio e Doroti Schwade organiza-
ra com a ajuda de alguns membros da Prelazia de
Itacoatiara um plano de saúde. Isso foi registrado
em um Relatório produzido pelo Marewa em 1986,
que visava atenuar as enfermidades que grassavam
entre os Waimiri-Atroari, principalmente os surtos
de sarampo, malária e outras doenças comuns na
Amazônia. As ações ocorriam a partir de voluntá-
rios sensíveis à causa indígena, entre os índios, esta
iniciativa teve uma boa aceitação, haja vista que o
atendimento oferecido pela FUNAI era precário.
O casal Schwade também buscou compor
uma aliança entre índios e lavradores com vistas a
resistir à implementação dos grandes projetos na re-
gião, vejamos: “Os aliados dos índios por enquan-
to são os lavradores, que atualmente se organizam
em sindicatos, cuja sede provisória funciona na
casa de Egydio e Doroti” (RELATÓRIO DO PROJETO
MAREWA/SAÚDE, 1986, p. 1).
Nessa ótica, tal ação caracterizou-se como
um processo de organização e resistência, na me-
dida em que a formação do sindicato de lavradores
no Município de Presidente Figueiredo objetivava o
fortalecimento dessas ações, tanto no sentido de pla-
nejamento, quanto de sua execução. A maioria dos
membros era composta por trabalhadores rurais,
pessoas ligadas aos movimentos de base da Igreja
Católica e do CIMI.
As reuniões aconteciam na Prelazia de
Itacoatiara e em Presidente Figueiredo, promovendo
assim uma articulação entre o Marewa e o sindicato.
Essa articulação já vinha sendo desenhada desde a
década de 1970, com as ações do CIMI e dos missio-
nários da Prelazia de Itacoatiara, no início da década
de 1980, no tocante ao acompanhamento de índios
doentes junto a Casa do Índio de Manaus:




