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Protagonismo e resistência dos Waimiri-Atroari na Amazônia
que será problematizada no 4º capítulo do trabalho.
Ao passo que todos esses fatos, por ora analisados
e os que ainda analisaremos, ocorreram dentro dos
limites do território Waimiri-Atroari e foram ampla-
mente denunciados pelo Marewa, somam-se a isso,
ainda a experiência de ambos com o processo de al-
fabetização em uma das aldeias indígenas entre os
anos de 1985 e 1986, que também será fruto da nos-
sa análise.
A Estrada e o 6º BEC: Ações e discursos anti-
indigenistas
De acordo com Silvano Sabatini:
O marco deste processo de invasão recente do ter-
ritório Waimiri-Atroari foi a construção da BR-174
ligando Manaus a Boa Vista e esta cidade ao Cari-
be. No período da construção da estrada ocorreram
“conflitos” dos quais apenas se tem informações
das mortes de brancos (SABATINI, 1998, p. 239).
Isso pode ser confirmado, quando analisamos
alguns periódicos da época e nos deparamos com
notícias acerca do papel do 6º BEC, que adentrou
no território indígena, representando a imposição
militar vigente. A esse respeito, o Jornal Correio da
Manhã, do Rio de Janeiro, em matéria publicada no
dia 1º de agosto de 1972, denominada, “
6º Batalhão
vence a região dos índios
” fez o seguinte comentário:
O sexto Batalhão de Engenharia, que está cons-
truindo a Rodovia Manaus-Caracaraí (BR 174), es-
trada que vai ligar o Brasil à Venezuela e à Guiana,
acaba de ultrapassar, sem problemas, a região dos
índios Atroari-Waimiri, responsáveis pelo massacre
da expedição do Padre Calleri. A informação foi li-
berada ontem, pelo gabinete do General Bandeira
de Melo, presidente da FUNAI, acrescentando que a
contribuição do sertanista, Gilberto Pinto Figueire-
do, mantendo-se em contato constante com o caci-




