Eduardo Gomes da Silva Filho
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A preocupação com o avanço dos grandes
projetos nas terras indígenas era uma constante nas
rodas de discussões, pois evidentemente não só a
saúde indígena, mas à própria sobrevivência do povo
dependia do apoio de pessoas suficientemente infor-
madas dos fatos e dispostas a agir de alguma forma.
A possível solução para este problema seria a inten-
sificação do movimento de conscientização e a sua
integração aos demais movimentos de resistência in-
dígenas, sobretudo, os que estavam ligados à época
a União das Nações Indígenas – UNI.
Ainda segundo o Relatório, também havia por
parte dos missionários a preocupação com as agres-
sões realizadas contra os índios que passavam pelos
Postos de Atração da FUNAI, notadamente quando
voltavam de caçadas e pescarias, muitas vezes, mal
sucedidas e, ainda assim, eram forçados a entregar
parte da caça/pesca aos agentes dos Postos.
Durante toda a década de 1980, o Movimento
de Apoio à Resistência Waimiri-Atroari, consolidou-
-se como um instrumento de apoio e luta à causa
indígena. Nesse sentido, várias outras ações, desen-
volvidas pelo próprio Marewa e pelo casal Doroti e
Egydio Schwade, permearam as folhas deste traba-
lho. Nos próximos dois capítulos, teremos as opor-
tunidades de continuarmos dando ênfase ao resgate
desta história, a partir de uma série de documentos,
muitos deles em tom de denúncia, que os missio-
nários escreveram, reivindicando sempre os direitos
dos povos indígenas.
Isso ficará mais evidente, quando analisar-
mos a ação direta dos grandes projetos na terra in-
dígena, como nos casos da própria construção da
BR 174, abordada ainda neste capítulo, do Grupo
Paranapanema, com seu projeto de exploração mi-
neral. Além da Construção da Usina Hidrelétrica de
Balbina, com a intensa participação da Eletronorte,




