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Protagonismo e resistência dos Waimiri-Atroari na Amazônia
do por uma equipe técnica da FUNAI composta por
Leandro Mendes Rocha, da Assessoria de Estudos e
Pesquisas – AESP, pelo Linguista Nelmo Roque Scher
e pela Antropóloga Otília Maria Correia da Escóssia
Nogueira. De acordo com o documento, os principais
danos foram: à diminuição demográfica, que esta-
va atrelada às práticas genocidas do Exército, além
das inúmeras doenças trazidas pelos brancos a par-
tir do contato, como podemos observar na passagem
abaixo:
Como consequência do contato brusco com o bran-
co, a população Waimiri sofreu um decréscimo de
600 a 1000 indivíduos em 1973 para apenas 323
em 1985. Soma-se a esse problema, toda uma pos-
tura paternalista e autoritária que tem marcado,
historicamente, o trabalho de atração de grupos in-
dígenas arredios, fato este que os leva a uma gran-
de descaracterização cultural. A FUNAI, portanto,
necessita urgentemente, rever a sua atuação frente
aos índios recém-contatados (AESP/FUNAI, 1985,
p.1).
Não restam dúvidas de que os problemas re-
latados acima têm caráter de denúncia, no entanto,
mesmo com tudo isso, o povo Waimiri-Atroari con-
tinuou resistindo aos desmandos da política indige-
nista praticada à época. Para fortalecer esta relação,
um grupo de apoio ao movimento de resistência in-
dígena foi criado, fato que nos deteremos no tópico
a seguir.
O movimento de apoio à resistência Waimiri-
Atroari – MAREWA
Nós chegamos em Itacoatiara com a família em 80,
em Junho de 80. E aí em 83 é que a gente achou,
foi estruturar isso um pouco melhor. E foi que cria-
mos o Marewa. [...] Aproveitamos um encontro do
CIMI realizado em Borba para fazer o lançamento




