Eduardo Gomes da Silva Filho
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que Maruaga - chefe-geral das 15 aldeias – foi deci-
siva para o prosseguimento dos trabalhos. A com-
panhia de Engenharia que está atuando na área,
chegou à paralisar por duas vezes seus trabalhos,
por temer o choque com índios, enquanto Gilberto
prosseguia no contato com o grupo. O sertanista,
que já vem atuando entre os Atroari-Waimiri desde
a morte do Padre Calleri, conseguiu convencer o
cacique Maroaga de que a estrada traria benefícios
para o grupo (CORREIO DA MANHÃ, 1972).
Já o Jornal do Brasil, em matéria publicada
em 17 de janeiro de 1974, noticiou a chegada das pri-
meiras máquinas no território dos índios. “
Máquinas
chegam ao território dos Waimiri-Atroari
”:
Um comunicado do posto de Alalaú, em Roraima,
divulgado ontem pela FUNAI, informa que as má-
quinas de terraplenagem do 6º BEC atravessaram
o Igarapé de Santo Antônio do Abonari, situado no
trecho final da Rodovia Manaus-Caracaraí, ingres-
sando sem qualquer incidente em território dos
Waimiri-Atroari (JORNAL DO BRASIL, 1974).
Egydio Schwade expõe no Relatório do Comitê
da Verdade do Amazonas (2012) que os conflitos en-
tre os Waimiri-Atroari e o governo iniciaram por con-
ta da construção da BR-174, que tinha a intenção
de acessar uma rica mina de minérios estratégicos,
localizada no alto rio Uatumã, próximo ao rio Alalaú
e da construção da Hidrelétrica de Balbina. Segundo
Schwade, tanto a Hidrelétrica de Balbina, quanto à
mineradora, ficavam nas terras dos índios Waimiri-
Atroari e, portanto, a BR-174 as atravessou bem no
centro.
Os trabalhos de terraplanagem da BR 174
ocorreram a partir de meados do ano de 1968, ao
passo que no mesmo ano, também teve início as
Frentes de Atração promovidas pela FUNAI no ter-
ritório indígena, pois os índios Waimiri-Atroari, de
acordo com a política indigenista da época e segundo




