Eduardo Gomes da Silva Filho
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-Atroari e a estrada que corta o território indígena
prosseguirá, segundo afirmação do Ministro Ran-
gel Reis, em Manaus. [...] O objetivo é a estrada, é
o trabalho de integração de todo o território nacio-
nal, política bastante difundida pelo ex-presiden-
te Médici. Se não muda, outras vítimas poderão
aparecer. E o desfecho é previsível. Os índios vão
resistir ao avanço, voltarão a atacar até um final
onde se espera não marque o fim de uma civili-
zação que representa atualmente uma minoria, só
conhece uma maneira de se preservar: a luta. Uma
luta sangrenta, mas, sem muitas esperanças, nes-
se caso, pois o inimigo é a tribo mais forte, o branco
(JORNAL DE BRASÍLIA, 1975).
O governo permanecia firme em sua meta
de integrar o território nacional, mesmo que para
isso fosse necessário desintegrar os povos tradicio-
nais. Neste sentido, a fala do sertanista da FUNAI,
Sebastião Amâncio, é bastante esclarecedora em re-
lação ao tratamento que deveria ser dispensado aos
Waimiri-Atroari. Segundo o sertanista, a atração dos
índios deveria ser feita a partir da “utilização de di-
namite, granadas, bombas de gás lacrimogêneo, ra-
jadas de metralhadoras, exílio para os chefes revol-
tosos e retomada dos presentes doados pela Funai
aos Waimiri-Atroari [...]”. (JORNAL DE BRASÍLIA,
1975).
Repercussões negativas das declarações fei-
tas por Sebastião Amâncio levaram a FUNAI a de-
sistir de seu nome para chefiar o “projeto de Atração
dos Waimiri-Atroari”. Entretanto, constrangimentos
a parte, isso não implicou numa mudança em rela-
ção à forma do governo encarar a questão. “O pre-
sidente da FUNAI, na época o General Ismarth de
Araújo, veio pessoalmente a Manaus para manter
contato com o pessoal do 6º BEC tendo em vista de-
senvolver uma nova estratégia de atração”. (JORNAL
DO BRASIL, 1975).




