Table of Contents Table of Contents
Previous Page  123 / 332 Next Page
Information
Show Menu
Previous Page 123 / 332 Next Page
Page Background

Eduardo Gomes da Silva Filho

123

-Atroari e a estrada que corta o território indígena

prosseguirá, segundo afirmação do Ministro Ran-

gel Reis, em Manaus. [...] O objetivo é a estrada, é

o trabalho de integração de todo o território nacio-

nal, política bastante difundida pelo ex-presiden-

te Médici. Se não muda, outras vítimas poderão

aparecer. E o desfecho é previsível. Os índios vão

resistir ao avanço, voltarão a atacar até um final

onde se espera não marque o fim de uma civili-

zação que representa atualmente uma minoria, só

conhece uma maneira de se preservar: a luta. Uma

luta sangrenta, mas, sem muitas esperanças, nes-

se caso, pois o inimigo é a tribo mais forte, o branco

(JORNAL DE BRASÍLIA, 1975).

O governo permanecia firme em sua meta

de integrar o território nacional, mesmo que para

isso fosse necessário desintegrar os povos tradicio-

nais. Neste sentido, a fala do sertanista da FUNAI,

Sebastião Amâncio, é bastante esclarecedora em re-

lação ao tratamento que deveria ser dispensado aos

Waimiri-Atroari. Segundo o sertanista, a atração dos

índios deveria ser feita a partir da “utilização de di-

namite, granadas, bombas de gás lacrimogêneo, ra-

jadas de metralhadoras, exílio para os chefes revol-

tosos e retomada dos presentes doados pela Funai

aos Waimiri-Atroari [...]”. (JORNAL DE BRASÍLIA,

1975).

Repercussões negativas das declarações fei-

tas por Sebastião Amâncio levaram a FUNAI a de-

sistir de seu nome para chefiar o “projeto de Atração

dos Waimiri-Atroari”. Entretanto, constrangimentos

a parte, isso não implicou numa mudança em rela-

ção à forma do governo encarar a questão. “O pre-

sidente da FUNAI, na época o General Ismarth de

Araújo, veio pessoalmente a Manaus para manter

contato com o pessoal do 6º BEC tendo em vista de-

senvolver uma nova estratégia de atração”. (JORNAL

DO BRASIL, 1975).