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Protagonismo e resistência dos Waimiri-Atroari na Amazônia
“Sou de opinião de que uma área rica como essa não
pode se dar ao luxo de conservar meia dúzia de tri-
bos indígenas, atravancando o seu desenvolvimento”
(A CRÍTICA, 1975).
Muitas dessas reclamações era por causa da
resistência indígena frente ao projeto do Governo, o
poder público não queria entender que o indígena
vive fundamentalmente da sua terra e que é extre-
mamente difícil para ele se manter calmo e acomo-
dado, vendo o “civilizado” invadir seu território, de-
salojá-lo, acabar com suas roças, suas caças, além
do seu modo tradicional de vida.
Isso pode ser confirmado a partir de uma ma-
téria publicada no Jornal de Brasília, pela jornalista
Memélia Moreira, com a manchete “
Morte na rota da
estrada: são os atroaris
”, que relata o caso de mais
um sertanista da FUNAI, chamado Oswaldo Leal
Filho, morto pelos Waimiri-Atroari. Logo em seguida,
vem a explicação: “A região que está havendo conflito
com os Waimiri-Atroari abrange 178 quilômetros da
rodovia Manaus – Caracaraí – Boa Vista” (Jornal de
Brasília, 1975). Em seguida a jornalista faz o seguinte
questionamento? “Como explicar a um jovem atroari,
secularmente na terra, que a chegada de uma estrada
não lhe trará danos?” (Jornal de Brasília, 1975).
Depois de todos os abusos cometidos a este
povo, seria pouco provável, que o jovem Waimiri
aceitasse tais argumentos passivamente. A resposta
dos índios foi à intensificação da luta contra os inva-
sores de seu território, entrando em rota de colisão
contra os interesses governamentais. Por seu tur-
no, a Fundação Nacional do Índio não apresentava
qualquer alternativa à situação de conflito que não
a militarização:
[...] A Fundação Nacional do Índio não pretende
modificar a sua estratégia na atração dos Waimiri-




