Table of Contents Table of Contents
Previous Page  122 / 332 Next Page
Information
Show Menu
Previous Page 122 / 332 Next Page
Page Background

122

Protagonismo e resistência dos Waimiri-Atroari na Amazônia

“Sou de opinião de que uma área rica como essa não

pode se dar ao luxo de conservar meia dúzia de tri-

bos indígenas, atravancando o seu desenvolvimento”

(A CRÍTICA, 1975).

Muitas dessas reclamações era por causa da

resistência indígena frente ao projeto do Governo, o

poder público não queria entender que o indígena

vive fundamentalmente da sua terra e que é extre-

mamente difícil para ele se manter calmo e acomo-

dado, vendo o “civilizado” invadir seu território, de-

salojá-lo, acabar com suas roças, suas caças, além

do seu modo tradicional de vida.

Isso pode ser confirmado a partir de uma ma-

téria publicada no Jornal de Brasília, pela jornalista

Memélia Moreira, com a manchete “

Morte na rota da

estrada: são os atroaris

”, que relata o caso de mais

um sertanista da FUNAI, chamado Oswaldo Leal

Filho, morto pelos Waimiri-Atroari. Logo em seguida,

vem a explicação: “A região que está havendo conflito

com os Waimiri-Atroari abrange 178 quilômetros da

rodovia Manaus – Caracaraí – Boa Vista” (Jornal de

Brasília, 1975). Em seguida a jornalista faz o seguinte

questionamento? “Como explicar a um jovem atroari,

secularmente na terra, que a chegada de uma estrada

não lhe trará danos?” (Jornal de Brasília, 1975).

Depois de todos os abusos cometidos a este

povo, seria pouco provável, que o jovem Waimiri

aceitasse tais argumentos passivamente. A resposta

dos índios foi à intensificação da luta contra os inva-

sores de seu território, entrando em rota de colisão

contra os interesses governamentais. Por seu tur-

no, a Fundação Nacional do Índio não apresentava

qualquer alternativa à situação de conflito que não

a militarização:

[...] A Fundação Nacional do Índio não pretende

modificar a sua estratégia na atração dos Waimiri-