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Protagonismo e resistência dos Waimiri-Atroari na Amazônia

Durante a estada em Manaus, ele sobrevoou

a área do território indígena, a forma como os ín-

dios receberam a autoridade, com flechas, também é

reveladora da manutenção da disposição dos índios

de continuarem lutando, como sempre fizeram pela

defesa de seu território. Vejamos:

Os índios atroaris responderam com flechas à pas-

sagem do presidente da Funai, general Ismarth de

Araújo, sobre sua reserva, ontem, depois de terem

destruído com flechas e bordunas os painéis, esto-

fados e dois tratores D – 8 utilizados na construção

da rodovia Manaus – Caracaraí, que atravessa suas

terras. Os 30 atroaris apareceram repentinamente

num local onde trabalhavam 100 operários, mas

só atacaram os tratores; os trabalhadores embre-

nharam-se na mata. (O ESTADO DE SÃO PAULO,

1975).

No período de construção da BR 174, os

Waimiri-Atroari passaram a ter um contato mais

próximo dos trabalhadores da estrada, isso em vir-

tude das construções dos Postos de Atração em seu

território, fato que mudou a rotina deste povo e que

trouxeram consequências no contato, seja por causa

da demarcação de seus territórios, seja na afirmação

de sua identidade étnica.

A violação do seu modo tradicional de vida foi

um dos fatores para a sua resistência, que se deu a

partir de várias formas, entre elas, podemos inferir

os ataques a flechas, terçados e bordunas, pratica-

dos com as expedições da Frente de Atração.

A essa altura dos acontecimentos, como ci-

tado anteriormente, o sertanista Apoena Meirelles já

era o mais cotado para ocupar o lugar de Gilberto

Pinto, morto pelos indígenas no Posto de Atração

Alalaú II, próximo do rio Abonari. Alguns meses de-

pois do seu anúncio oficial, feito pela FUNAI, em 29

de abril de 1975, Apoena Meirelles veio a público de-