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Protagonismo e resistência dos Waimiri-Atroari na Amazônia
Era evidente que a preocupação dos mis-
sionários com a política indigenista praticada na
época, estava muito além do simples discurso e da
vaidade do sertanista Apoena Meirelles, que decla-
rara abertamente sua intenção de não contar com
nenhum deles na tentativa de pacificação. A Frente
de Atração Waimiri-Atroari – FAWA, promovida pela
FUNAI, continuou os seus trabalhos, mesmo com
o ocorrido com Gilberto Pinto, no Posto de Atração
Abonari II. O sertanista Apoena Meirelles foi designa-
do para dar continuidade à tentativa de pacificação.
Recuperamos uma de suas primeiras tentativas de
prosseguir com as ordens da FUNAI, a partir de uma
matéria publicada no Jornal O Estado de São Paulo,
em 28 de março de 1975, com a seguinte manchete
“
Apoena Meirelles procura Atroaris
”.
A matéria descreve o início da expedição do
sertanista, quando o mesmo se dirigiu a Cachoeira
Criminosa, próxima ao local onde ocorreu a morte
de Gilberto Pinto. O principal objetivo era contatar
os Waimiri-Atroari, depois do fracasso da expedição
anterior. Nessa ótica, o sertanista começou a sua
empreitada “Com uma equipe de 15 homens, en-
tre eles seis índios Xavantes e dois suruís, Apoena
subirá quase 60 quilômetros pelo rio Alalaú, porém
não tomara a iniciativa do contato, deixando que os
índios se aproximem de sua expedição” (O ESTADO
DE SÃO PAULO, 1975).
A mesma expedição foi noticiada pelo jornal
A Crítica de Manaus com a matéria, “
Namoro, a fase
mais difícil para Apoena
”. “Apoena deixou ontem o
posto Alalaú e, no caminho à Cachoeira Criminosa,
poderá avaliar a receptividade dos índios, já que nas
entradas de reconhecimento deixou vários presentes
às margens dos rios” (A CRÍTICA, 1975).
Para que houvesse êxito na expedição, o 6º
Batalhão de Engenharia de Construção – 6º BEC




