Eduardo Gomes da Silva Filho
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de Atroaris é uma invasão de bárbaros
”, o jornal
abriu espaço para a denúncia de Egydio Schwade,
que na época era secretário executivo do CIMI. A
esse respeito Egydio Comenta: “O que se pratica
hoje com os Atroaris sobre o pretexto de atraí-los à
civilização é uma autêntica invasão de bárbaros” (A
CRÍTICA, 1975).
No mês seguinte, em edição lançada no dia
15 de abril de 1975, o mesmo jornal abriu espaço
para alguns questionamentos referentes ao modo
como estava sendo conduzida a Frente de Atração,
com a matéria “
Atração Atroari é desafio à FUNAI
”.
O novo sertanista responsável pela frente de atração
da FUNAI, Apoena Meirelles
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, tinha declarado dias
antes que não aceitaria a participação de missioná-
rios em sua expedição. Antes disso, ele já havia se
pronunciado publicamente sobre esse caso, “Acho
que o CIMI em vez de ficar fazendo alusões caóticas,
expondo opiniões sem fundamento, deveria procurar
colaborar e não tentar tumultuar os nossos traba-
lhos [...]” (A CRÍTICA, 1975).
Em resposta, membros do Conselho
Indigenista Missionário – CIMI, afirmaram:
Não vamos ficar criando polêmicas com um serta-
nista. Precisamos discutir o problema dos Waimi-
ris-Atroaris [sic] e da política indigenista brasilei-
ra em um nível mais alto, mais sério, para que os
objetivos possam ser atingidos, sem imposições e
sem decisões apressadas, que só prejuízos trazem
às comunidades indígenas (A CRÍTICA, 1975).
58 Nascido numa aldeia dos índios Xavantes, do Mato Grosso e criado
com alguns ensinamentos aprendidos pelo pai nas malocas dos ín-
dios, filho do experiente Francisco Meireles, o “Chico Meirelles”, que
trabalhou na pacificação das tribos do Centro-Oeste do país, paci-
ficado os índios Cinta-Larga, Suruí (tribos tidas como violentas de
Rondônia); e mais recente na época, a atração dos Avá-Canoeiros, no
Mato Grosso.




