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Protagonismo e resistência dos Waimiri-Atroari na Amazônia

parte do seu depoimento logo abaixo das acusações

feitas por Francisco Mont’Alverne:

O Sr. Milton Lolli, esteve neste jornal, fazendo

denúncias contra a Fundação Nacional do Índio,

dizendo que a política adotada vem causando o

extermínio dos índios Waimiri-Atroari e que o ser-

tanista Gilberto Pinto, foi massacrado juntamente

com outros funcionários da FUNAI, pelo fato deste

ter negado ao chefe Maroaga fazer uma roça nas

proximidades do posto da FUNAI e outras coisas

mais (A CRÍTICA, 1975).

As denúncias praticadas por Milton Lolli ao

jornal são as mesmas que Egydio Schwade relatou

em sua entrevista. Já a FUNAI, tentava com sua

força institucional desmentir esta versão através da

mídia. Porém, um dia antes, este mesmo jornal já

havia publicado uma matéria sobre o fato e pela sua

mudança de postura do dia seguinte deve ter desa-

gradado em cheio às autoridades, como podemos ob-

servar ao compararmos as duas manchetes: “

Método

da FUNAI leva o índio ao extermínio

”, (A CRÍTICA,

1975)

57

.

Destarte, diversas opiniões sobre o processo

de atração ecoariam de lados opostos: do lado dos

militares, havia a permanência do discurso desen-

volvimentista, contudo, sem admitirem culpa nos

homicídios ocorridos no Posto de Atração; já do lado

da mídia, ora davam espaço para o discurso repro-

duzido pelos militantes da causa indigenista, ora

para a FUNAI e o governo.

Em matéria publicada pelo Jornal A Crítica,

em 27 de março de 1975, com a manchete “

Atração

57 De acordo com essa notícia do dia 04 de março de 1975, portanto,

um dia antes de sair a outra matéria com a mudança de postura do

jornal que passou a acusar Milton Lolli. Esse mesmo jornal parecia

corroborar com a sua tese, depois, no dia seguinte, voltou atrás, pro-

vavelmente por algum tipo de pressão externa envolvendo o poder

público e a política indigenista praticada pela FUNAI na época.