Eduardo Gomes da Silva Filho
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março de 1975, com o título “
FUNAI: Mateiro é anal-
fabeto
”, onde ela tentou descaracterizar e deixar de-
sacreditado Milton Lolli perante a opinião pública.
Porém, o que causa estranhamento é que,
nesse caso, o mateiro era funcionário da pró-
pria FUNAI, contratado para trabalhar na Frente
de Atração. Evidentemente, depois que o fato veio
à tona, o mateiro foi dispensado. Eis o enunciado
apresentado na matéria do jornal:
A versão de que Maroaga, o comandante dos Wai-
miris teria chacinado o sertanista Gilberto Pinto
Figueiredo e seus auxiliares porque teria sido proi-
bido de fazer um roçado nas imediações do posto
Abonari II, e que os métodos da Fundação Nacional
do Índio estariam levando os silvícolas ao extermí-
nio, foi contestada pelo delegado regional da FU-
NAI, Sr. Francisco Mont’Alverne, afirmando que o
denunciante, Milton Lolli, quis aparecer a título de
sensacionalismo (A NOTÍCIA, 1975).
Seguem abaixo as afirmações de Francisco
Mont’Alverne:
Se Milton Lolli disse alguma coisa é porque é um
débil mental. Para começar ele não tem condições
de fazer nenhum levantamento visando a escrever
um livro sobre os indígenas, porque ele é analfa-
beto. Alega que já atuou entre várias tribos como
bororós e pacas novas, mas posso garantir que ele
nunca viu um índio em sua vida porque foi dispen-
sado por não ter condições de adaptar-se à flores-
ta e nem de assimilar os primários conhecimentos
que se deve ter para atuar numa frente de atração
(Ibid.).
No mesmo dia, saiu outra matéria acerca do
mesmo assunto no Jornal A Crítica, de Manaus, com
a manchete “
FUNAI: Lolli deve sofrer das faculdades
mentais
”. No entanto, a mesma matéria traz o depoi-
mento de Milton Lolli, que procurou o jornal para ra-
tificar as denúncias. Por sua vez, o jornal reproduziu




