Table of Contents Table of Contents
Previous Page  115 / 332 Next Page
Information
Show Menu
Previous Page 115 / 332 Next Page
Page Background

Eduardo Gomes da Silva Filho

115

Alguns dias depois, de acordo com José

Porfírio de Carvalho (1982, p. 201) “no domingo, dia

29 de dezembro de 1974, por volta do meio dia, o

corpo de Gilberto Pinto Figueiredo Costa, encontra-

va-se no necrotério do hospital Getúlio Vargas, em

Manaus”. Ainda de acordo com Carvalho (1982), seu

corpo foi trazido por oficiais do 6º BEC que estavam

próximos ao Posto de Atração Indígena nas imedia-

ções do Igarapé de Santo Antônio do Abonari.

Surgiram diferentes versões sobre a mor-

te de Gilberto Pinto, principalmente depois que o

único sobrevivente do ataque ao Posto de Atração,

um índio da etnia Sateré, chamado Ivan, deu sua

versão do caso a Porfírio de Carvalho. Ivan era fun-

cionário da Frente de Atração, “naquele dia ele teria

sido escolhido para ser o “observador”, tendo então

amarrado a sua rede em uma árvore do outro lado

do rio Santo Antônio do Abonari, na frente da sede

do Posto” (Ibid., p. 201). Carvalho argumenta que

o índio Ivan não chegou a ouvir ataques de índios

ao posto de Atração, mas “ouviu uma intensa fuzila-

ria e muita fumaça no rumo da sede do posto Santo

Antônio do Abonari” (Ibid., p. 204).

Pelo depoimento dado por Ivan a Porfírio de

Carvalho, os índios que estavam em uma casa de

palha perto do posto, correram assustados para a

mata, enquanto Gilberto Pinto gesticulava na varan-

da do Posto, como se quisesse avisar algo, após isso,

Ivan fugiu em direção a BR 174 e depois todos os

outros foram encontrados mortos pelos oficiais do

6º BEC.

Carvalho (1982) alega em sua obra que algu-

mas “coincidências” ocorreram no local, entre elas: o

tempo para a chegada dos oficiais ao Posto, que se-

gundo ele teria sido rápido demais, além de um avião

ter pernoitado na pista da BR 174, a estranheza dos

índios que não tinham nem sabiam utilizar armas