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Protagonismo e resistência dos Waimiri-Atroari na Amazônia
dade de Manaus com lideranças indígenas e seus
familiares, bem como a instalação de mais Postos de
Atração. Portanto, quem observava essas ações de
fora, não imaginava o que estava por vir. Tanto para
a FUNAI, quanto para o governo, a pacificação dos
Waimiri-Atroari era uma prioridade. Aparentemente,
tudo estava indo bem, até que, em dezembro de
1974, este cenário mudou completamente.
Nesse sentido, a matéria publicada no dia 10
de janeiro de 1975 pelo Jornal Opinião, com título “
A
morte do Paizinho
”, pois era assim que Gilberto Pinto
era chamado pelos índios, ajudou-nos na análise de
mais esse ataque promovido pelos Waimiri-Atroari,
desta vez ao Posto Indígena de Atração Abonari II.
Na ocasião, ele estava em Manaus passando as fes-
tas de Natal com a família e foi chamado às pressas
para o Posto de Atração, pois um grupo de guerreiros
Waimiri-Atroari estava rondando o acampamento e
um dia antes já haviam disparado flechas. De acordo
com o Jornal Opinião:
Na madrugada do dia 29, já no acampamento, Gil-
berto Pinto acordou com os gritos de guerra dos
índios. Assustado, imediatamente levantou-se da
rede e correu para tentar apaziguar os guerreiros.
Tombou com uma flecha no peito e outra no fígado,
só um funcionário da FUNAI escapou ao ataque, os
outros três foram trucidados a golpes de borduna
(JORNAL OPINIÃO, 1975).
O mesmo Jornal ainda chamou-nos a aten-
ção para o fato que, desta vez, os ataques não tinham
sido comandados por Comprido, chefe da tribo dos
guerreiros Atroari e sim por “Maroaga, um guerreiro
Waimiri de aproximadamente 60 anos, chefe de dois
que rivais no passado, estavam unidos há algumas
décadas, numa espécie de confederação para defen-
der suas terras das investidas [...] do homem bran-
co” (JORNAL OPINIÃO, 1975).




