Eduardo Gomes da Silva Filho
113
Na rota dos conflitos, a morte de Gilberto
Pinto: Apoena Meirelles assume e “A resistência
Waimiri-Atroari vive”
Discutimos muito sobre o problema. Gilberto sem-
pre voltava a levantar a hipótese de que algo mui-
to grave deveria ter acontecido com os índios para
motivar uma reação tão drástica. E a única expli-
cação que achávamos, o único fato novo na área
de que tínhamos conhecimento, era a aceleração
da construção da estrada BR 174, com a bateria
de máquinas pesadas removendo árvores e terras,
num trabalho que virava o dia e a noite. Isto, ao
nosso ver, poderia ter feito os índios pensarem que
aquelas máquinas poderiam também ir de encon-
tro às suas malocas e suas roças (CARVALHO,
1982, p. 112).
Parte da narrativa do diálogo reproduzida
acima entre o indigenista e Coordenador da FUNAI
no Amazonas, José Porfírio Fontenele de Carvalho e
Gilberto Pinto Figueiredo Costa, sertanista e chefe
da Frente de Atração Waimiri-Atroari, são reflexos
da preocupação de ambos com os ataques ocorridos
aos Postos de Atração Indígena Alalaú I e Alalaú II,
onde morreram seis funcionários da FUNAI, no dia
30 de setembro de 1974.
Ainda de acordo com Carvalho (1982), um
ano antes, em janeiro de 1973, esse mesmo Posto de
Atração do Alalaú II, tinha sido atacado e destruído
pelos índios, fato que paralisou parte dos trabalhos
de construção da estrada BR 174. Gilberto Pinto ha-
via feito desde que assumiu a chefia da Frente de
Atração em 1972, um trabalho de intensificação dos
contatos com índios, a partir da sua própria expe-
riência de sertanista, lançando mão de táticas que,
num primeiro momento, deram certo.
Entre elas, podemos destacar a troca tradi-
cional de presentes, a organização de passeios à ci-




