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Protagonismo e resistência dos Waimiri-Atroari na Amazônia
A composição da Frente de Atração tinha
todo um suporte da FUNAI, não só no que diz respei-
to ao trabalho de campo, mas, na parte administra-
tiva também. Atrelado a isso, está à articulação com
a 1ª Delegacia Regional – AM, “sob o comando do
Delegado Antônio Esteves Coutinho” (FUNAI, 1973,
p. 219).
Outro documento que atesta ação das Frentes
de Atração no território indígena, desde o ano de
1968, é um processo encaminhado pelo Diretor
do Departamento Geral do Patrimônio Indígena –
DGEP/FUNAI, Paulo Monteiro Santos, ao Presidente
da FUNAI, o General Oscar Gerônimo Bandeira de
Mello
54
, em 16 de março de 1971, que explicita: “Os
trabalhos de Atração dos índios Waimiri e Atroari fo-
ram iniciados, em princípios do ano de 1968, pela
equipe da 1ª DR, sob a direção do sertanista Gilberto
Pinto Figueiredo e prosseguem até os dias atuais,
com apreciáveis resultados” (PROCESSO Nº 570/71,
FUNAI, 1971).
Verificou-se, portanto, a partir da análise
de mais este documento, que não há dúvidas em
relação ao início das atividades da FUNAI junto à
terra indígena, além da continuidade dos traba-
lhos da rodovia, sendo assim, foram inevitáveis os
enfrentamentos.
54 Sobre o General Bandeira de Mello a Comissão Nacional da verdade
esclarece: General de divisão. Presidente da FUNAI de junho de 1970
a março de 1974. Responsável pela criação do Reformatório Krenak,
no estado de Minas Gerais, utilizado como instalação prisional pela
FUNAI e local de tortura, morte e desaparecimento forçado de indíge-
nas (RELATÓRIO DA COMISSÃO NACIONAL DA VERDADE, 2014, p.
871, Tomo I).




