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Eduardo Gomes da Silva Filho

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do processo histórico, que tem hoje índios e cam-

poneses como sujeitos fundamentais (MARTINS,

1991, p. 23).

A análise de Martins ajudou-nos a entender

as práticas de resistência indígena utilizadas pelo

povo Waimiri-Atroari, que, quando se sentiam amea-

çados, empunhavam seus arcos e flechas contra os

inimigos, como podemos verificar a partir da análise

da figura abaixo que mostra os índios em posição de

ataque em um dos postos da FUNAI, que servia entre

outras coisas, para vigiá-los.

44

Ainda de acordo com José de Souza Martins,

vários fatos que integram à resistência dos povos im-

pactados pelos grandes projetos podem ser melhor

compreendidos quando situados num tempo/espaço

mais dilatados, a partir da observação de certas con-

tinuidades, estratégias e táticas que perpassam dife-

rentes episódios da sua luta. Nesse contexto, temos

no caso do povo Waimiri-Atroari a sua luta contra a

dominação dos brancos, como podemos observar na

imagem abaixo:

Figura 03

– Posto da FUNAI com 18 orifícios (em

vermelho) nas paredes para mira com armas de fogo.

Foto:

Egydio Schwade, 1986.

44 De acordo com Schwade (1986), o posto da FUNAI em questão, tinha

18 orifícios nas paredes, que serviam de mira para armas de fogo de

funcionários da FUNAI e do Exército.