Eduardo Gomes da Silva Filho
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A partir da análise do trecho deste documen-
to, podemos inferir que os índios Waimiri-Atroari já
vinham, pelo menos há cinco anos, resistindo às ten-
tativas de atração feitas pela FUNAI e pelo Exército
em seu território, pois, como frisamos anteriormen-
te, este processo teve início ainda no ano de 1968,
com a tentativa frustrada da expedição Calleri. Nota-
se, portanto, que já estamos no ano de 1973 e a re-
sistência indígena continuara com afinco.
A posição dos militares, face às investidas
dos índios, comportava “demonstrações de força” vi-
sando aterrorizar os índios. Nas palavras do General
Gentil Nogueira Paes
47
, “Este comando, caso haja
visitas dos índios, realize pequenas demonstrações
de força, mostrando aos mesmos os efeitos de uma
rajada de metralhadora, de granadas defensivas e da
destruição pelo uso de dinamite”.
48
A fala do General Gentil Nogueira, reflete bem
a postura do Exército na época, que tentou de todas
as formas esmagar a resistência dos índios frente à
construção da estrada. Os métodos utilizados pelo
sertanista Gilberto Pinto em sua tentativa de “pa-
cificar” os índios são descritos em seu relatório em
riqueza de detalhes como podemos verificar abaixo:
Para tanto, deixamos brindes em diversos locais
adredes
49
preparados e que sabidamente conhe-
cidos como locais de parada dos índios, a fim de
47 General de brigada. Comandante do 2º grupamento de engenharia
e construção do Exército no ano de 1974, à época da abertura da
BR-174, conhecida como rodovia Manaus – Boa Vista. [...] De 1972
a 1975, as obras de abertura da BR-174, conduzidas pelo Exército,
resultaram na morte e no desaparecimento de número expressivo de
indígenas da etnia Waimiri Atroari. Cf. RELATÓRIO DA COMISSÃO
NACIONAL DA VERDADE, 2014, p. 864, Tomo I.
48 Ordem do General de Brigada Gentil Nogueira Paes, comandante
do 2º grupamento de construção do Comando Militar da Amazônia.
Ofício nº 042, de 21 de novembro de 1974.
49 De forma proposital.




