Eduardo Gomes da Silva Filho
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FUNAI, o General Ismarth Araújo comentou: “A ro-
dovia Manaus-Caracaraí é vista por eles como uma
ameaça à autonomia de sua reserva, daí a intensifi-
cação dos ataques nos últimos anos” (Ibid., p.1).
Dois dias antes, este mesmo jornal já ti-
nha publicado uma matéria em alusão a um dos
sertanistas mortos chamado Odoncil Virgínio dos
Santos
42
, o seu corpo foi trazido para Manaus,
onde estava um dos sobreviventes chamado Adão
Vasconcelos, que segundo o jornal, tratava-se de um
índio “aculturado”:
O massacre foi comandado por Comprido, chefe de
um dos grupos Waimiri-Atroaris (no total, dois mil
índios), que na tarde do dia 1º chegou ao subposto
acompanhado por mais 16 índios. Lá eles dormiram
e, no dia seguinte, três atroaris saíram para caçar,
em companhia de Esmeraldo Miguel Neto e Evaris-
to Batista. No subposto permaneceram, com os ou-
tros 13 índios, Adão, Odoncil Virgínio dos Santos, e
Faustino da Cruz. Os primeiros a serem atacados,
disse Adão Vasconcelos, foram ele próprio, Odoncil
e Faustino, que morreu no local. Ao se defender de
um terçadada, Adão teve um dos ossos do braço
partido, mas, ainda assim, correu em direção ao rio
próximo, seguido por Odoncil, que provavelmente
estava ferido na cabeça. Adão conseguiu atraves-
sar o rio [...] Abonari. Seu companheiro, contudo,
foi atingido à flechada quando entrou na água (O
ESTADO DE SÃO PAULO, 1974).
Este cenário descrito pelo jornal mostrou de
maneira clara como os índios defendiam bravamente
mata, atingido por uma flecha nos rins, além disso, mais dois so-
breviventes foram internados e outros dois morreram. Mais três ser-
tanistas da FUNAI que participaram da empreitada, ainda estavam
desaparecidos, pelo ocorrido, havia fortes indícios de que os respon-
sáveis eram os índios.
42 “Índio do povo Baré, que tinha 19 anos de idade, instrução primária
completa e há mais de um ano prestava serviços naquela Frente de
Atração” (CARVALHO, 1982, p. 102).




