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Protagonismo e resistência dos Waimiri-Atroari na Amazônia
Em 06 de agosto de 1968, um pedido de au-
torização feito pelo DNER junto a Fundação Nacional
do Índio, já deixava claro as intenções do órgão do
Governo. O levantamento do material acerca deste
pedido consta em um Relatório feito pela Prelazia de
Roraima em conjunto com a Comissão Pró-índio, so-
bre o título “Pacificação dos índios Waimiri-Atroari”,
onde consta um plano de trabalho apresentado pelo
DNER para a tentativa de pacificação dos índios. Em
sua introdução o pedido expõe:
Apresentamos este pequeno estudo em estreita
união de esforços com FNI, DNER, DERAM, AE-
RONÁUTICA e GEF, para uma decidida tentativa
de solução para o espinhoso problema indígena,
que torna árdua a realização de um extraordiná-
rio projeto a favor de nossa AMAZÔNIA e de todo
o BRASIL: a BR 174 (PRELAZIA DE RORAIMA E
COMISSÃO PRÓ-ÍNDIO, 1968, p. 3).
Mais uma vez, a política anti-indigenista fez-
-se presente a partir das ações tomadas pelo Estado
brasileiro, por meio da FUNAI e demais órgãos, como
apontou o pedido acima, que, por sinal, foi acatado
posteriormente, haja vista que as tentativas de paci-
ficação de fato ocorreram.
Desde o fracasso da expedição do Padre
Calleri que o órgão indigenista tentou se reorganizar,
no sentido de fazer novas expedições, porém, houve
forte resistência indígena, um desses casos foi des-
crito em uma publicação feita no dia 08 de outubro
de 1974, pelo Jornal O Estado de São Paulo, que
trouxe como destaque a seguinte matéria “
Caído na
mata o sobrevivente
” (O ESTADO DE SÃO PAULO,
1974, p.1).
41
Na mesma matéria, o Presidente da
41 Esta notícia referia-se a um funcionário da FUNAI chamado Evaristo
Batista, que tinha desaparecido em um ataque dos Waimiri-Atroari
junto a um subposto localizado nas imediações do rio Alalaú. O jor-
nal ainda descreveu-nos como o funcionário foi encontrado caído na




