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Protagonismo e resistência dos Waimiri-Atroari na Amazônia

verno e do empresariado, desejoso de se apropriar

da área (COMITÊ DA VERDADE DO AMAZONAS,

2014, p. 107).

Para que fosse possível o alcance de tais ob-

jetivos, ou seja, a realização concreta de uma Frente

de Atração junto ao território indígena, com fins de

inserção, atração e pacificação, foram utilizados os

chamados Postos Indígenas de Atração, entre eles,

destacam-se o de “Camanaú, no rio Camanaú; Santo

Antônio do Abonari [...]; Alalaú, no rio Alalaú; e pe-

los subpostos Santo Antônio do Abonari, no igara-

pé do mesmo nome; e Alalaú; no rio Alalaú, [...]”

(RELATÓRIO FRENTE DE ATRAÇÃO, 1973, p. 2).

Ainda de acordo com relatório, o subposto do

Alalaú precisou ser reformado, por ter sido alvo de

investida indígena no ano de 1973, a esse respeito

o relatório descreveu: “Subposto Alalaú, atualmente

em fase de planejamento a sua recuperação, em vir-

tude de haver sido destruído em janeiro do corrente

ano [...]” (Ibid., p. 3).

José de Souza Martins (1991) e James Scott

(1985) nos alertaram para os desafios, tensões e en-

frentamentos que a resistência indígena causaria

aos programas de desenvolvimento dos brancos, na

medida em que alguns agentes exógenos invadiram

e tentaram se apropriar do seu território. Os mili-

tares e a FUNAI tentaram se livrar a todo custo dos

índios, com diversas formas de violência e controle.

Nesse sentido, Martins esclarece:

Para compreender corretamente o tema, entendo

que é necessário trabalhar com uma concepção de

amplitude de espaço maior do que aquela envolvida

em cada conflito fundiário e em cada enfrentamen-

to tribal. Do mesmo modo, é necessário trabalhar

com uma dimensão de tempo mais dilatada do que

aquela que encerra um acontecimento singular. Os

casos isolados não revelam a verdadeira natureza